Cultura

Exposição homenageia Agostinho Neto e Mandela

Roque Silva |

O artista plástico Paulo Kapela presta homenagem a António Agostinho Neto e a Nelson Mandela, duas figuras incontornáveis da história de Angola e da África do Sul, respectivamente, e do continente berço, na sua exposição “Luvuvamu + Nzola I Paz + Amor”, inaugurada sexta-feira, no Espaço Luanda Arte (Ela), em Luanda.

Espaço Luanda Arte acolhe pinturas e documentário sobre os dois históricos
Fotografia: Edições Novembro |

O tributo a duas das figuras mais emblemáticas dos dois países, pela forma como se bateram pelas independências de ambos, consta em dois dos sete quadros patentes na exposição, elaborados com técnica mista.
Outros nomes do nacionalismo angolano como Hoji Ya Henda e Deolinda Rodrigues integram as obras apresentadas pelo artista, além do presidente cessante da República de Angola, José Eduardo dos Santos. A exposição, aberta ao público até o dia 13 de Dezembro, resulta da sua residência artística naquele espaço, reúne ainda o filme “Renascimento”, realizado e editado por Gretel Marín Palácio, e uma instalação.
O artista celebrar, com a mostra, o seu 70º aniversário, por isso decidiu homenagear, através das artes plásticas, ilustres figuras para reconhecer e contribuir para eternizar os feitos de alguns de muitos africanos que lutaram por causas nobres, como forma de ficarem eternizados.
Paulo Kapela quer, com a exposição, transmitir valores como a necessidade de valorizar a cultura, as tradições africanas, o amor, a paz, o respeito ao próximo, a liberdade, a união entre as pessoas, em particular entre os profissionais da mesma área de actuação.
Kapela defendeu, por outro lado, a necessidade de haver mais apoios aos projectos ligados às artes plásticas no país, por haver muito talento em Angola, sobretudo nos jovens talentos.
“Neste momento, reconheço o bom estado das artes plásticas no país, sobretudo o trabalho feito pelos mais jovens”, disse o artista.
Nascido na província do Uíge, Paulo Kapela percorre o mundo, com a sua arte, desde 1995. Auto-didacta, começou a pintar em 1960 na escola Poto-Poto, em Brazzaville, República do Congo. A viver e a trabalhar em Luanda desde 1989, primeiro no edifício da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP), depois no Beiral e agora no Palanca, expõe internacionalmente desde 1995, tendo participado em exposições como “África Remix”, que viajou por Londres (Reino Unido), Paris (França), Tóquio (Japão), entre outras cidades. Participou na exposição colectiva “Tons e Texturas da Angolanidade”, em 2003, e conquistou o prémio do Centro Internacional de Civilizações Bantú (CICIBA), de Brazzaville, que lhe rendeu parte do reconhecimento internacional. Em 2007 participou na mostra “Check List Luanda Pop”; na 52ª Bienal de Veneza, Itália. Em 2009 a sua obra fez parte da mostra da 2ª Trienal de Luanda, Angola e, ainda no mesmo ano, fez parte da colectiva “Luanda Smoth and Rave”, França, e em 2013 na mostra “No Fly Zone”, no Museu Coleção Berardo, em Portugal.
A sua primeira exposição individual intitulada “Kapela” foi realizada na Galeria Tamar Golan, em Luanda, em 2015, ano em que apresentou “Entre Suplícios”, na Galeria Hall de Lima Pimentel, também na capital luandense.

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