Cultura

Exposição homenageia Viteix

“Rostos” é o tema da segunda parte da exposição individual de Lino Damião, em homenagem a Viteix, na sequência da trilogia “Restos, rastos e rostos”, a ser inaugurada dia 29 deste mês, no Camões - Centro Cultural Português, na Baixa da cidade de Luanda.

Viteix inspirou várias gerações de artistas
Fotografia: DR

A exposição fica patente até o dia 18 de Julho e os quadros retratam pessoas,  experiências e mudanças sentidas e vividas pelos habitantes da cidade de Luanda em 1992, de acordo com uma nota do Centro Cultural Português.
“Rostos” surge em alusão às expressões e modo de vida das pessoas que naquele período histórico se encontravam na cidade de Luanda, na sua maioria vindas das províncias, fugidas da guerra.
Realça que foi na segunda metade de 1992 que começou o segundo período da guerra civil angolana, desta vez afectando também Luanda. Assim, as obras são fruto de interpretações e memórias que remetem àquele ano, em que ocorreu a exposição de Viteix “Restos, rastos e rostos”, na Associação 25 de Abril. Recorda que as criações artísticas, enquanto concepção visual histórica, política e cultural, de um sujeito, têm como objectivo transcender o diálogo com o seu observador. Neste trabalho, lembra,  Lino Damião aspira levar-nos a uma viagem no tempo, onde possamos encontrar aqueles rostos com quem se cruzou e imaginou.
O artista transporta-nos para a sua cidade, cheia de gentes provincianas a movimentarem as ruas, elas mesmas ainda mais atribuladas. Gente nua de cor, suada de sabor e cantadas de alegria e dor, à procura do ganha pão ou de um chão. No catálogo da exposição, a directora do Instituto Camões - Centro Cultural Português, Teresa Mateus, escreve que Lino Damião regressa um ano depois, com o trabalho “Rostos”, que integra a trilogia de homenagem póstuma a Viteix, seu saudoso mentor e grande mestre.
Regressa, prosseguindo um sonho, acalentado há mais de vinte anos. Um sonho transformado num exercício criativo. Um rito ou o cumprimento de uma promessa motivada por um infinito sentimento de gratidão, pelo saber recebido e pelo privilégio de ter partilhado com o mestre a simplicidade do seu quotidiano e a humanidade transbordante do seu ser, na grandeza própria daqueles que se distinguem pela luz própria que emanam, no percurso das suas vidas.
Esta romagem, explica, Lino Damião não entoa cantos fúnebres, nem carrega nas mãos círios ou velas. Antes, com gestos amplos e generosos, alimentados de afecto, segue ao compasso de acordes de retalhos de memória, do passado, em que conviveu com o mestre.

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