Cultura

Exposição instaura debate sobre a vida social nas cidades

Jomo Fortunato

A Plataforma de Jovens Artistas Angolanos, “Jaango Nacional”,  é um projecto cultural que junta artistas plásticos residentes e convidados da diáspora angolana.

Jovens artistas participantes na sétima edição da plataforma “Jaango Nacional” no Memorial
Fotografia: Edições Novembro

A 7ª edição do certame, inaugurada no passado dia 8 de Junho, convidou os artistas, Eduardo Vueza, Kassy, Maiomona Vua, Suekí e Ricardo Kapuka, que, a propósito, teceuo seguinte comentário sobre a exposição, “Tendo como fio condutor comum as cidades e seus diversos contrastes, reuniram-se cinco jovens artistas nesta edição do “Jaango Nacional”, nas variadas disciplinas praticadas pelos artistas.
De facto, conseguiu-se um todo coeso e muito diversificado quer no estilo tanto na temática. Apresentam-se nesta mostra dez instalações, duas por cada artista, e dez obras de carácter mais individualista.Conseguiu-se entre os artistas a partilha de conhecimentos e um espírito de entre ajuda, saindo todos mais enriquecidos com esta válida experiência de duas semanas de trabalho intenso e satisfação do resultado final.Todas as obras, incluindo as instalações, foram criadas “in loco” no Memorial Dr. António Agostinho Neto (MAAN), tiveram a missão de utilizar apenas a metodologia da reciclagem de materiais, o que obrigou a todos sair das suas zonas de conforto, o que é sempre um grande desafio.Agora a mostra é para ser vista por todos os amantes das artes plásticas, e esperamos que ajude a levantar questões e  criaro debate sobre a vida social nas nossas cidades”.
O  Jaango surgiu por analogia metafórica ao símbolo nacional angolano “Jango”  ou “Onjango”, um espaço de ritual coberto, com estrutura, mas simultaneamente aberto aos lados de forma a permitir que as pessoas se reúnam para trocar pontos de vista, e desenvolvam ainda mais as suas ideias. 
A curadoria da exposição está a cargo de Dominick Tanner, curador-produtor britânico e Director-geral da ELA,  Espaço Luanda Arte, que vive e trabalha em Angola há mais de oito anos e durante esse tempo, produziu e desenvolveu uma  conjunto de projectos que visam enaltecer os artistas, fomentar a arte angolana, bem como valorizar as instituições que têm apoiado a criação artística. 
A galeria “ELA” existe há pouco mais de dois anos e situa-se no quarto andar do edifício da “De Beers”. O “ELA” não é somente um espaço comercial de vendas, está particularmente engajado e vocacionado em valorizar a pesquisa no domínio da cultura e das artes. 

Artistas
Artista autodidacta, Eduardo Vueza nasceu em 1979, vive e trabalha em Luanda, e  temdesenvolvido muita da sua técnica no Atelier do Mestre e artista plástico João Pindi. Kassy nasceu em 1977, vive e trabalha em Luanda e a sua pintura reflecte uma África contemporânea, desafiante e influenciada por Luanda e os Luandenses no seu dia-a-dia. Maiomona Vuanasceu em 1979, vive e trabalha em Luanda, e arrebatou, em 2016, o “Grande Prémio de Escultura” do ENSARTE, com a peça “Convergência Feminina”. Ricardo Kapukanasceu em 1976, em Benguela, vive e trabalha na Catumbela a sua primeira exposição individual em Luanda intitulada “Vida e Fé” no “ELA- Espaço Luanda Arte” lançou o debate sobre crenças espirituais ou religiosas. Suekí nasceu em 1981, vive e trabalha entre Itália e Angola, e o seu nome vem do quimbundo e significa “um crocodilo em busca de dias mais brilhantes”.

Instalações
Entre instalações e telas, a exposição desdobrou-se nos seguintes autores e respectivas obras criadas este ano, Eduardo Vueza, “Aculturação” , “Teias da dependência”, “Proteção divina” e “Valoriza-te palanca”, Kassy, “Nkasame”, “Adeus xinganji” e “Mona Lisa angolana”, “Os  infelizes”, “ Angola a avançar ou sempre a subir”  Maiomona Vua, “A caça do homem mascarado”, “A vida é um jogo”,  “É um facto” e “paz na miséria”, Suekí,  “Infância lavada”, “Angola a avançar ou sempre a subir”, “Futuro condenado ou até quantum?” e Ricardo Kapuka, “Segredos da África Ancestral”, “Cidades e necessidades”, “Menino do Rio”, e “Mercado”, são as obras expostas no Memorial Dr. António Agostinho Neto. As obras dos artistas “Jaango” ou “Jaanguistas”,  como são vulgarmente conhecidos, emergem , de entre outros processos criativos, da reciclagem de materiais, revisitam lugares comuns sobre temas pitorescos das cidades, reinterpretam ideias  e   reinventam conceitos pré-definidos.

Histórico
No âmbito da sua programação cultural semestral, o Memorial Dr. António Agostinho Neto (MAAN) realizou, de Abril e Maio, um conjunto de exposições de artes plásticas e de fotografia das quais destacamos a colectiva “Pai grande nosso, tu és”, um tributo inédito ao Mestre Paulo Kapela, pelo seu renascimento e instinto peculiar de sobrevivência, “Vida e Fé”, dez obras do artista plástico, Ricardo Kapuca, que abordou, maioritariamente, motivos iconográficos de índole religiosa entre a figuração e abstracção, a sétima edição da colectiva, Plataforma de Fotografia Experimental, “Vidrul fotografia”, que juntou trabalhos dos fotógrafos, Toty Sa’Med, Albano Cardoso, Céus e Sebastião Vemba e a terceira edição da Plataforma de Fotografia Pan-Africana, com trinta e duas obras do prestigiado fotógrafo sul-africano, Sabelo Mlangeni.  A primeira edição da Plataforma de Jovens Artistas Angolanos,  “Jaango Nacional”teve lugar em 2011, numa sequência cujo desafio tem sido trabalhar numa residência diurna de cerca de duas semanas, onde cada artista cria duas instalações.

Textualidades
A programação cultural do primeiro semestre do Memorial Dr. António Agostinho Neto, encerra no dia 29 de Junho com a poetisa Amélia Dalomba, no âmbito da tertúlia, “Textualidades, conversa com leitores”, onde  a escritora vai conversar com os seus leitores, convidados e expor os seus livros. O projecto “Textualidades, conversa com leitores”,  já teve a participação dos poetas Bendinho Freitas, Lopito Feijoó, João Tala e João Maimona.

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