Exposição "Olongombe" chega a Luanda

Francisco Pedro |
3 de Setembro, 2016

Fotografia: Dombele Bernardo

Ossadas, marfim, crânios de bois, missangas, sementes, raízes, cordas de plástico e de sisal, pulseiras de metal e tecidos de tons azul e branco são os artefactos mais visíveis na exposição colectiva “Olongombe”, inaugurada quinta-feira, no Camões - Centro Cultural Português, em Luanda.

A mostra reúne pinturas de António Gonga, Mário Tendinha, Paulo Kussy e Paulo Amaral, esculturas de madeira de Masongi Afonso  e instalação de António Ole.
O motivo está relacionado com a criação de gado e rituais realizados pela população das províncias da Huíla, Namibe, Cunene e Benguela, onde o gado bovino é considerado riqueza de milhares de famílias.
A palavra “Olongombe”, na língua umbundo, traduzida em português significa “manada de gado”. Trata-se de uma exposição itinerante e serve para homenagear quer as populações pastoris do Sul do país, pela sua relação directa com a criação de gado bovino, cujos hábitos e costumes são dependentes da pastorícia, quer para homenagear o escritor, cineasta e antropólogo Ruy Duarte de Carvalho, pelas pesquisas feitas no seio dos pastores.
O quadro “Boi sagrado”, de António Ole, constituído por um conjunto de 10 peças de madeira todas revestidas por um mapa, na parte superior contém um crânio com chifre  -em memória a Ruy Duarte de Carvalho -, de acordo com o artista. É uma das obras que lembra a entrega do cineasta, escritor e antropólogo Ruy Duarte de Carvalho a um vasto e árduo trabalho artístico e científico desenvolvido nas províncias do Namibe e da Huíla, junto dos criadores de gado. Além dos artefactos e motivos pictóricos dos quadros, os títulos revelam quão comprometidos estão os trabalhos apresentados com a criação de gado, à semelhança das instalações “Baza espíritos”, de Mário Tendinha e “Muene-hambo”, de Paulo Amaral, as pinturas “Lago sacralizante”, “Estrela cadente” e “Lengeno”, de António Gonga.
Masongi Afonso brinda-nos com seis peças de escultura, divididas em três grupos, designadamente “Solidariedade e amor”, “Orgulho familiar” e “Poder”, cuja estilização  remete-nos a um estilo contemporâneo muito ousado, pois representam um grupo familiar de bois (ngombe). “Olongombe” é também o título de um dos quadros de Mário Tendinha, elaborado à base de desenho com pigmento negro e acrílico impressão sobre tela. Juntam-se ainda as telas “Himba”, “Colo”, “Evocação” e “Mukaia”, com a mesma técnica de desenho impresso em tela, todas com um fundo branco o que lhes confere uma maior luminosidade entre todas as obras expostas.
Paulo Amaral tem ainda os quadros “Icaca” e “Tembo-honjuo”, em técnica mista (acrílico e colagem sobre tela). A intenção dos artistas, de acordo com o porta-voz, Paulo Amaral, “é levar ao público dessas regiões diferentes técnicas e suportes da arte, baseadas nas tradições culturais desses povos, de modo a despertar a pesquisa dos diversos aspectos de cada região.”
Paulo Kussy apresenta-nos telas com um fundo alaranjado, os motivos são figuras humanas e de boi, um conjunto de quatro telas “Sem título”. Antes de Luanda, “Olongombe” passou pelas cidades de Moçâmides, na província do Namibe, Lubango, na província da Huíla, e, recentemente, em Benguela. A exposição está aberta ao público até ao dia 23.

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