Exposição sobre a vida dos criadores de gado

João Upale | Namibe
6 de Agosto, 2016

Fotografia: Afonso Costa | Namibe

Uma exposição colectiva itinerante de pintura, escultura, desenho impresso e instalação, intitulada “Olongombe”, foi inaugurada, na quinta-feira, no Namibe, no âmbito do programa dos festejos dos 167 anos da fundação da cidade de Moçâmedes, que se assinalaram no mesmo dia.

A inauguração da exposição realizou-se no pátio da Administração Municipal de Moçâmendes e fica patente até segunda-feira, retratando  momentos ímpares, desde cerimónias fúnebres, ao legado ancestral, a pastorícia, música e dança, um conjunto multicultural e multifacetado e o gado, que é o centro de “um sem número de actividades.”
O projecto, que envolve seis artistas plásticos angolanos, tem a ver com o desenvolvimento de trabalhos centrados no gado. António Gonga, António Ole, Masongi Afonso, Mário Tendinha, Paulo Amaral e Paulo Kussy entenderam reunir esforços e, em conjunto, levar a cabo este projecto artístico de um conjunto de actividades ligadas ao dia-a-dia do povo angolano, sobretudo das províncias do Sul de Angola.
“O gado é, sem dúvida, uma das maiores riquezas do povo e faz parte do quotidiano de centenas de milhares de famílias, sobretudo no sul”, disse um dos mentores do projecto. A exposição que iniciou no Namibe vai, ainda este mês, percorrer as cidades do Lubango, de 10 a 14, na Feira do Gado, e de Benguela de 18 a 21, na Mediateca. Já em Luanda, é apresentada de 1 a 23 de Setembro, no Centro Cultural Português. No próximo ano, a intenção é apresentar a mostra no Cuando Cubango e no Cunene dependentemente dos apoios conseguidos.
Os expositores afirmam, que o gado é o centro da vida, desde tempos centenários, das famílias dos herero, ambos, xindongo, nyaneca-humbe e ganguelas, apenas para citar algumas etnias. É pois para uma modesta contribuição e homenagem aos povos pastores de Angola, que estes artistas plásticos se juntaram e trabalharam com base neste tema, exibindo o resultado do seu trabalho numa exposição itinerante.
Cada um deles pintou cinco obras. Deste modo, os artistas pensam contribuir para levar a estas províncias uma mostra de diferentes técnicas e suportes da arte, baseadas nas suas próprias tradições e riqueza cultural, obrigando-se ao estudo e pesquisa dos diversos e diferentes aspectos de cada região e etnias por onde as obras de arte são apresentadas.
O artista plástico Paulo do Amaral disse ao, Jornal de Angola, que a exposição resulta do esforço de um trabalho dos integrantes, que tem como objectivo homenagear os povos criadores de gado do Sul de Angola, preservar a identidade angolana, abordar questões ligadas à “nossa cultura,” pastores e vivência dos povos.  No seu entender, o trabalho pode ser representado por artistas plásticos duma maneira, mas interpretada por outras pessoas, povos e tribos pode representar outra coisa. “E, então, é um bocado à procura desse contraste de ideias e opiniões que nós vamos encontrar, de um modo geral, o grande valor da nossa exposição”, disse.
Paulo Amaral anunciou estar prevista, para este ano, a criação de uma informação vídeo, após chegar a Luanda, para fazer uma apresentação de um DVD, documentário, sobre a passagem nessas quatro províncias.

Recordar Rui Carvalho

“Olongombe, ao evocar as comunidades pastoris de que os kuvale são paradigma, remete-nos, incontornavelmente, para a obra do escritor, cineasta, antropólogo e poeta Rui Duarte de Carvalho, a quem os seis artistas também pretendem homenagear com este trabalho (…)”, escreveu a directora do Camões - Centro Cultural Português de Luanda.
Teresa Mateus destacou as obras de Rui Duarte de Carvalho, que “mergulhou fundo” na cultura dos kuvale, concentrado nos pastos acres e doces, que se estendem da serra das Neves até aos limites dos rios Kuroca, Bero e Giraul, “porque, nessas paragens, a água dura todo o ano e há afloramentos de sal, de que o gado também precisa.”
O vice-governador para o Sector Económico, Alcides Gomes Cabral, enalteceu o projecto por considerar que o mesmo engrandece os valores culturais da população ancestral autóctone.

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