Exposição sobre povos pastoris no Lubango


10 de Agosto, 2016

Fotografia: Afonso Costa

A exposição colectiva  itinerante dos artistas António Ole, António Gonga, Mário Tendinha, Masongui Afonso, Paulo Amaral e Paulo Kussy é inaugurada hoje, na Feira do Gado, na cidade do Lubango, em homenagem aos povos pastoris de Angola e ao escritor e antropólogo Ruy Duarte de Carvalho.  


Já exibida na cidade de Moçâmedes, a exposição segue depois para a Mediateca de Benguela, entre os dias 18 e 21 deste mês, e finalmente no Camões-Centro Cultural Português, em Luanda, de 1 a 23 de Setembro.
 O Camões-Centro Cultural Português, disse, em comunicado, que os seis consagrados artistas plásticos angolanos se juntaram  em torno de uma ideia da qual resultou um projecto artístico a que deram o nome de Olongombe (manada de gado, em umbundo), concretizado numa exposição colectiva e itinerante que reunirá obras de pintura, desenho, escultura e instalação, unidas pela temática comum em torno do “gado”, numa homenagem aos povos pastoris do Sul de Angola, à qual o Camões-Centro Cultural Português se associou, como parceiro.
Ao  evocar as comunidades pastoris do Sul de Angola, de que os kuvale são paradigma, Olongombe remete-nos  para a obra do escritor, historiador, antropólogo e poeta angolano Ruy Duarte de Carvalho, a quem os seis artistas também pretendem homenagear com este trabalho.
O projecto Olongombe desenvolve os trabalhos artísticos em torno do gado, figura central e riqueza maior dos povos kuvale,  descrito por Ruy Duarte de Carvalho na sua obra “Vou lá visitar pastores”, que transforma  em poesia “memórias históricas, migrações, pastagens, solos, climas, percursos milenares, rumos traçados por gerações, há muito extintas, legados e destinos, num quotidiano animado pela urgência viril das transumâncias”.
Olongombe recorda a importância deste modo de exploração animal, fundado na mobilidade-circulação do gado. Um equilíbrio entre pastos, água, manada, força de trabalho e consumo. Toda uma economia a gravitar em volta do gado. Da paisagem ao consumo do leite. A carne do gado consumida de forma mais restritiva e complementar, nos casos de morte natural do gado, por doença, por acidente ou de abate ritual para cultos e sacrifícios. “Cada região, cada músculo, cada membrana, cada tripa e cada osso do boi tem nome, tem significado, tem destino e está ligado a alguma função ritual.”
Os seis artistas, de gerações diferentes, oriundos de lugares diversos do país, com percursos  artísticos, experiências e histórias de vida diferentes, embarcaram na aventura do projecto Olongombe e reconstruíram os caminhos perdidos da transumância.

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