Extremistas destroem cidade milenar


11 de Março, 2015

Fotografia: Reuters

Os extremistas do Estado Islâmico estão a levar cada vez mais longe a onda de destruição do passado histórico do Iraque e depois do ataque ao Museu de Mossul, um dos mais importantes do Médio Oriente foi a vez da cidade assíria de Nimrud, com mais de 3.000 anos.

Segundo as autoridades iraquianas, citadas pela imprensa internacional, os rebeldes avançaram sobre este sítio arqueológico nas margens do Rio Tigre, a sul de Mossul, a segunda maior cidade do país, com bulldozers, arrasando várias estruturas.
Nimrud, assim chamada em homenagem ao rei Nimrod, caçador lendário que a Bíblia refere, é um dos principais pólos da antiga Mesopotâmia, tida como berço da civilização ocidental, formando com as cidades reais de Nínive e Hatra um triângulo patrimonial de referência. Foi fundada por volta de 1.250 a.C. e, quatro séculos mais tarde, tornou-se a capital do império assírio, o mais poderoso do seu tempo, com um vasto território que abarca o que é hoje o Egipto, a Turquia e o Irão.
Os motivos que os extremistas do Estado Islâmico evocam para a destruição em Mossul e na velha Nimrud são os mesmos: as estátuas dos acadianos são vistas como blasfemas, já que são o reflexo de que, no passado, esta região adorou “ídolos”, desrespeitando o Profeta.
O ministro do Turismo e das Antiguidades do Governo do Iraque deu o alerta, garantindo que o grupo atacou  “a cidade histórica de Nimrud, demolindo-a com veículos pesados”.
O Governo do Iraque informou também que o  ataque começou depois das orações do meio-dia e além dos bulldozers, os militantes levaram camiões para poderem transportar as esculturas e altos-relevos mais pequenos, que foram capazes de destacar dos muros e paredes do sítio arqueológico.
O sítio histórico de Nimrud, escavado desde o século XIX (a autora de romances policiais Agatha Christie foi uma das que passou por lá nos anos 1950, com o marido, o arqueólogo britânico Max Mallowan), viu boa parte do seu património ser transferido para museus ocidentais e para Bagdade, onde está o famoso tesouro da cidade (613 peças em ouro, jóias e ornamentos com mais de 2.800 anos, descoberto na década de 1990). Ainda é cedo para determinar a amplitude do ataque, disse à televisão Al-Jazira um  funcionário ligado às antiguidades, embora haja já relatos de que os portões do palácio do rei assírio Ashurnasirpal II foram esmagados.
Estes portões históricos, que é parte do património mundial, são formados por esculturas icónicas que se podem encontrar em cidades como Persépolis e nalgumas das mais importantes colecções do mundo, como as dos museus Britânico, em Londres, do Louvre, em Paris, ou do Metropolitan de Nova Iorque.
Os lamassu são divindades assírias, representadas com corpo de leão ou de touro, asas de águia e rosto humano. 
A UNESCO  já classificou este ataque dos extremistas do Estado Islâmico como um “crime de guerra”, apelando a que “todos os responsáveis políticos e religiosos da região se levantem contra esta nova barbárie ao património da Humanidade”.
Num comunicado de imprensa, divulgado também ontem, a directora geral da UNESCO, Irina Bokova, afirma que “este novo ataque contra o povo iraquiano recorda que a limpeza cultural que está a castigar o Iraque não poupa nada nem ninguém”. A “limpeza” começou na Primeira Guerra do Golfo e foi comandada pelos EUA e várias potências ocidentais.

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