Cultura

Falta de apoios pode comprometer desfile

André Brandão | Ndalatando

O fraco apoio do Governo e do empresariado do Cuanza-Norte para a realização do Carnaval pode comprometer a participação dos habituais grupos na presente edição do Entrudo naquela província.

Vários grupos estão indecisos quanto à participação no Entrudo
Fotografia: Nilo Mateus | Edições Novembro | Cuanza-Norte

Os responsáveis foram unânimes em afirmar que a falta de apoios, a transparência organizativa e o reduzido valor dos prémios pode impedir a participação de grupos carnavalescos do Cuanza-Norte.

A indisponibilidade de valores monetários para a compra de indumentárias e outros artefactos e o dinheiro gasto durante os ensaios de preparação do Entrudo, que muitas vezes é superior ao do prémio atribuído ao primeiro classificado, também é um dos factores que pode comprometer a exibição de alguns grupos este ano.

Segundo alguns responsáveis, é difícil organizar um grupo carnavalesco até ao desfile provincial ou municipal, dependendo somente do apoio do Governo, porque a maior parte da indumentária é adquirida em Luanda.

A título de exemplo, recordaram que no ano passado, devido ao baixo valor dos prémios atribuídos aos vencedores,o Carnaval no Cuanza-Norte registou a desistência dos três mais tradicionais grupos da província, nomeadamente Associados da Camundai, Chá de Caxinde e Kudissanga Kuamacamba do Dondo. 

Francisco da Paixão, responsável do Chá de Caxinde, confirmou que o grupo não participou na última edição do Entrudo na província por razões financeiras, falta de apoios e baixo valor dos prémios atribuídos aos cinco primeiros classificados.

O responsável disse que durante os ensaios os grupos gastam mais dinheiro na compra de indumentárias, alimentação e outros artefactos, em relação aos valores atribuídos como prémios. “Se este ano o valor do prémio não atingir pelo menos um milhão de kwanzas para o vencedor e 500 mil para o quinto classificado, o grupo Chá de Caxinde não vai participar pelo segundo ano consecutivo”, afirmou.

O responsável dos Associados da Camundai explicou que as razões da desistência do grupo no ano passado deveram-se à falta de interesse da comissão organizadora, pois faltou dinheiro para organizar condignamente a manifestação e o valor dos prémios foram muito baixos.

Gilberto Quissassa disse que a organização tem falhado na preparação e execução do desfile, porque muitas vezes não esclarecem sobre os valores dos prémios, o que deixa os participantes com dúvidas.

O responsável referiu que, se as condições não mudarem este ano, mais grupos vão desistir, pelo que esperam melhorias na organização, divulgação antecipada do valor dos prémios e distribuição das indumentárias em tempo oportuno.

As canções, sublinhou Gilberto Quissassa, devem ser todas tocadas ao vivo e não as gravadas em disco, como acontece nos últimos anos. Também devem ser atribuídos subsídios de participação a todos os grupos carnavalescos da província.

António de Jesus Neto, 61 anos, é de opinião que falta mais envolvência de adultos nos grupos carnavalescos da classe A. “O Carnaval nos últimos anos não se assemelha ao do antigamente, porque não espelha a tradição dos nossos antepassados, onde as suas danças ilustravam a caça, pesca, alambamento e outras coisas do quotidiano que aconteciam nos bairros, como a feitiçaria”, disse.

António de Jesus Neto deseja que a presente edição do Carnaval deve ser melhor em relação às anteriores, no desfile da dança kazucuta e melhoramento das coreografias.  


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