Falta de espaços dificulta vida de artesãos

Alfredo Ferreira e Maiomona Artur | Caxito
24 de Outubro, 2014

Fotografia: Edmundo Eucílio | Caxito

A falta de espaços valorizados para esculpir e apresentar peças de artesanato em Caxito está a dificultar o trabalho dos artesãos do Bengo, que pedem aos empresários e ao Governo a construção de um local adequado.

A maioria dos criadores locais disse ao Jornal de Angola desejar ver construído um espaço onde haja condições para a feitura do artesanato e para exporem e comercializarem os seus produtos.
O artesão Lucas Pedro considerou que a construção de um local com as características referidas é fundamental, por contribuir também para uma maior troca de experiências entre os criadores e os ajudar a serem mais criativos.
O Bengo, explicou, tem muitos artesãos, embora a maior parte seja autodidacta e esteja no anonimato. “Para vender ou trocar experiências, temos sempre de ir ao mercado da Ilha e do Benfica, em Luanda”, lamentou.
O artista adiantou que os preços do artesanato variam, em geral, entre mil e 30 mil kwanzas, independentemente da qualidade do material utilizado, já que a província não dispõe de matéria-prima suficiente para corresponder à procura.
Por sua vez, Sérgio Mateus, outro artesão, disse que as vendas de arte a nível da província são muito baixas, “porque só há comercialização quando há reuniões do Governo e efemérides, altura em que temos a oportunidade de expor algumas peças”. Sérgio Mateus, que exerce a arte há mais de dez anos e aprendeu a esculpir madeira com o avô, mas a aperfeiçoou numa oficina em Luanda, diz que é preciso haver uma aposta mais forte do Governo Provincial e dos empresários na produção artística local, em especial no artesanato. Para Josénia Mateus Paím, a única mulher artesã de Caxito, é importante serem criadas escolas de artesanato, para os artistas aperfeiçoarem a sua técnica e os jovens terem mais interesse pela arte.
“Além de mais espaços, também é preciso que sejam realizadas mais actividades de promoção do artesanato, como as feiras, que permitem, além da venda, aumentar a experiência dos participantes”, explicou.
O coordenador da associação provincial do artesanato, Isidro Massoxi, defendeu a criação de uma feira de artesanato regular, na província, de forma a facilitar a venda e a exposição das obras locais. Do seu ponto de vista, a criação da feira pode ajudar os artistas locais, que actualmente se debatem com muitas dificuldades, a terem mais apoios do empresariado. Além disso, a Associação dos Artesãos do Bengo pretende trabalhar com o Governo na formação de meninos de rua, jovens, desmobilizados e presos, com acções de formação em artesanato.
“Existem dois tipos de artesões: aquele que através da sua criatividade, originalidade, graciosidade e perícia produz peças que provocam profundo sentimento de admiração naqueles que as observam e os que trabalham a partir de moldes para reproduzirem dezenas de peças iguais”, disse. No Bengo, a associação do artesão, criada em 2010, tem 25 inscritos.

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