Cultura

Falta de investimentos desencoraja escritores

Francisco Pedro

O incumprimento do Programa Nacional de Leitura é uma das razões que desencoraja estudantes e o público em geral a dedicarem-se à leitura, afirmou em Luanda a escritora Cremilda de Lima, na abertura da segunda edição do Festival Luso-afro-brasileiro (Festlab).

António Fonseca disse que a falta de distribuidores concorre para o encarecimento dos livros
Fotografia: Edições Novembro

De acordo com a autora de livros infantis, a maioria das pessoas não lê, porque os livros são caros ou por falta de hábitos de leitura. Por esta razão, questionou os prelectores António Fonseca, Domingas Monte, Pedro Janja e Mirna Queiroz (Brasil) sobre as razões de não ter sido implementado o Programa Nacional de Leitura.
No primeiro dia, o tema em debate, “As problemáticas do acesso ao livro”, levou o escritor António Fonseca a descrever a situação do mercado livreiro do país, apoiado em  dados estatísticos, tendo referido que apenas 10 por cento dos estudantes universitários se dedicam à leitura.
Embora existam várias editoras nacionais, António Fonseca afirmou que os escritores são obrigados a pagar, ou a procurar patrocínios, para que os seus textos sejam transformados em livros.
O processo de produção do livro inclui edição e distribuição. Enquanto produto comercial, está sujeito à política aduaneira e ao instrumento fiscal.
A falta de distribuidores concorre, também, para o encarecimento dos livros na óptica de António Fonseca, pois os preços “disparam”, quer pela venda de editores quer pela rede de retalhistas. O escritor apontou ainda a ausência de empresários nacionais com  uma visão económica do livro.
Até 1991, a EDIL e a ENDIPU eram as únicas empresas de distribuição de livros, em período de guerra. “Mesmo assim, o livro chegava a todas as províncias do país”, lembrou o escritor. António Fonseca sugeriu que o Ministério da Cultura repense a “economia da cultura” e que o Estado não se demarque da cadeia de produção, distribuição e comercialização do livro. />Por sua vez, Domingas Monte fez uma breve consideração sobre a importância do livro e da leitura, afirmando que esta dá ao leitor uma visão universal das sociedades.

Cerimónia de abertura

Em representação da ministra da Cultura, a Secretária de Estado Maria de Jesus da Piedade desejou que o Festlab alcance os objectivos preconizados e que surjam ideias que garantam o desenvolvimento cultural de cada país representado. Por outro lado, defendeu a consolidação da ideia de que o livro constitua, também, “uma oportunidade de empreendedorismo e de negócio”.
O embaixador do Brasil, Paulino de Carvalho Neto, manifestou satisfação pelo facto de a segunda edição do Festlab reunir escritores de sete países membros da CPLP e confirmou que o evento culminará, em Junho, com uma exposição itinerante sobre língua portuguesa.

Outros temas em debate

Na terça-feira, o painel sobre Literatura Infantil teve como moderadora a directora do Camões-Centro Cultural Português, Teresa Mateus. Os debates foram conduzidos pelo escritor angolano Hélder Simbad e os brasileiros Marta Costa e Felipe Fortuna, que abordaram os temas “Equívocos derivados da iliteracia literária”, “Literatura ou notícia moralista?”, “O fascínio da ilustração: técnicas, tendências, equilíbrio entre texto e imagem e convergência etária” e “Literatura infanto-juvenil: um género esquecido?”.
No mesmo dia, à tarde, o painel sobre O livro como ferramenta dialógica inter-geracional”, contou com as intervenções de José Luís Mendonça, Lopito Feijóo e a brasileiro Josélia Aguiar.


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