Feira de arte da Índia foca as crises da região


2 de Fevereiro, 2015

Fotografia: Divulgação

A maior feira de arte da Índia, que reuniu maioritariamente artistas do país e exposições inspiradas em temas actuais como as piores inundações na região de Caxemira em mais de um século, terminou no fim-de-semana, em Nova Deli.

A colecção de obras de 1.100 artistas atraiu admiradores da arte, proprietários galerias e coleccionadores, o que reafirmou a feira anual como uma das mais importantes manifestações culturais da Ásia do Sul.
A feira regista todos os anos a presença de cem mil visitantes, que nesta edição tiveram acesso a 85 galerias. Algumas obras expostas já estavam vendidas antes da anterior edição da feira abrir ao público. “Tivemos cinco ou seis pavilhões que venderam tudo, a algumas galerias a feira correu excepcionalmente bem”, disse à Reuters a fundadora, Neha Kirpal.
A arte na Índia tem vindo a crescer nos últimos cinco anos, com o segundo leilão da Christie’s em Bombaim em Dezembro a gerar vendas de 12 milhões de dólares. Um relatório dos analistas da ArtTactic concluiu que a confiança no mercado foi a mais alta desde 2007. Uma réplica em tamanho real de uma casa típica de Caxemira estava junto à entrada da feira, uma lembrança da destruição causada pelas inundações em 2014 neste Estado himalaico.
Veer Munshi, de Caxemira mas a viver em Deli, que levou quase três meses a completar a casa, disse que ia usar o dinheiro da venda, 55 mil euros, na ajuda os artistas e escritores da sua terra natal.
Dentro da feira, entre o conjunto de pinturas, esculturas, instalações de vídeo e fotografia havia outra exposição de madeira inspirada num ataque militar à cidade de Bombaim em 2008. A instalação do artista de Bombaim T. V. Santhosh inclina a histórica estação ferroviária da cidade num ângulo com vários relógios digitais nas paredes em contagem decrescente. Não muito distante, contas metálicas davam forma a quatro homens em perigo pendurados num comboio de Bombaim enquanto um exército de formigas gigantes, cujos corpos foram esculpidos a partir de peças de motorizadas, se aqueciam ao sol de Inverno.
Como noutros anos, os direitos aduaneiros e a burocracia ameaçaram resfriar o entusiasmo dos proprietários das galerias ocidentais. “Disseram-me que muitas galerias dos EUA deixaram de vir por causa das taxas e da burocracia”, disse Clarita Brinkerhoff, cuja galeria expôs pela primeira vez na Índia.
As esculturas de metal de pavões de Clarita Brinkerhoff, a ave nacional da Índia, cravejadas com cristais Swarovski, chamaram à atenção do público. Cinco das obras expostas foram vendidas no primeiro dia.
 Até que a de Nova Deli iguale as feiras de arte de Hong Kong ou Dubai devem passar muitos anos, mas o director Neha Kirpal está tranquilo e descreve a Índia como um mercado emergente de arte em contraste com outros, que estagnaram.

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