Cultura

Feira do Dondo reconstitui a história do colonialismo

A realização anual da Feira do Dondo constitui um elemento de memória, que visa perpetuar o contexto histórico colonial vivido pelos ancestrais, declarou ontem, no município de Cambambe, província do Cuanza-Norte, o secretário de Estado da Cultura para as Indústrias Culturais e Criativas.

De acordo com o governante, naquele ambiente vivido na altura, tornou a vila do Dondo num importante entreposto comercial, transformado em ponto de embarque dos escravos capturados no reino, em jeito de produto, enviado para a Europa, América e outros pontos do continente africano, para nunca mais voltarem.
Falando na cerimónia de abertura da IX da Feira do Dondo, João Constantino disse que a localidade é um marco indelével na expansão do colonialismo, que, além da sua penetração, promoveu as trocas comerciais no Reino do Ndongo, congregando caravanas idas das Lundas,  planalto de Camabatela, Malanje e Bié.
Apoiando-se na história colonial, fez saber que naquela altura foram construídas vária infra-estruturas ao longo do Corredor do Kwanza, com realce para a histórica vila do Dondo, fortes de Massangano e de Cambambe.
Perante esta realidade, prosseguiu, o Ministério da Cultura tem na  agenda o incentivo à realização permanente da Feira do Dondo, que abarca ainda a componente diplomática para justificação da pretensão do Executivo, em inscrever a candidatura do Corredor do Kwanza, junto da Unesco, como património da humanidade.
Para a concretização desta pretensão, advogou a importância e a necessidade do envolvimento do tecido empresarial, que deve continuar a investir no desenvolvimento e modernização da feira, dando primazia à inclusão das marcas locais, sobretudo, nos domínios da agricultura, pesca e artesanato.
A vice-governadora para o sector Político, Social e Económico sublinhou que o evento vai continuar a ser uma fonte de pesquisa para os estudantes, tendo em vista a necessidade da contínua divulgação do legado da região do Ndongo.
“Esta exposição exalta o valor patrimonial da cultura local, que deve ser perpetuado, pela nova geração, como forma de honrar o contributo prestado pelos antepassados, na construção de Angola”, sustentou Leonor da Silva Ferreira.
O programa da edição 2018 da feira de cultura, que encerra oficialmente hoje, sob o lema “Feira Dondo - local tradicional de convergência cultural e negócios”, inclui exposições fotográficas que retratam vários aspectos do Reino do Ndongo, visitas a locais turísticos, concurso de leitura infantil e palestras sobre variados temas.

Tempo

Multimédia