Feira promove jovens talentos das artes

Domingos Mucuta| Lubango
11 de Setembro, 2014

Fotografia: Domingos Mucuta| Lubango

Os jovens artistas da Huíla estão a aproveitar a II edição do FENACULT para apresentarem novas propostas artísticas ao público local e os turistas, assim como para criar novas parcerias, em especial com os criadores de Luanda.

Entre os artistas que mais despontam, está Francisca Mulato, que há dez anos cria artefactos a partir de materiais reciclados e está a ser uma prova do potencial imaginário e criativo.
A sua tenda, instalada no jardim da Sé Catedral, no Lubango, conquistou os corações dos visitantes, principalmente, confessa, pela criatividade e exuberância dos materiais expostos. Os seus cisnes, feitos de latas de refrigerantes, recolhidas nos bares, linhas e tampas das pilhas, têm prendido a atenção de todos.
Além destes animais, a artista, de 20 anos, expõe também pastas, chinelas e cestos feitos com materiais recicláveis. Alguns dos visitantes disseram, ao Jornal de Angola, que ela tem potencial para conquistar o mercado, caso receba boas propostas de apoio.
Francisca Mulato disse que uma das suas metas, enquanto artista, é ajudar a criar uma sociedade melhor, assente na identidade e na valorização do homem. “O FENACULT é a chance que todos queríamos para fazer melhor. Agora, quero dar a conhecer, ao máximo, o meu trabalho, mas sem descurar, por exemplo, a protecção do ambiente, um dos enfoques da minha arte”, disse.
“Imagina se todos reciclassem os materiais que utilizam. Teríamos tantas coisas úteis num ambiente saudável”, referiu a também estudante universitária.
Outra artista local que tem tido protagonismo é a decoradora Irina Cabral, de 23 anos, que percorreu 28 quilómetros até ao Lubango, para apresentar o seu trabalho. A artista, que estuda no magistério primário expôs diversos quadros, feitos com garrafas, pratos, almofadas e flores.
A jovem, que começou a gostar de belas artes por incentivo das professoras, disse estar surpreendida com o interesse das pessoas pelo seu trabalho. “Isso significa que o Festival Nacional de Cultura está a ajudar a promover também os novos valores, alguns dos quais não teriam a possibilidade de se impor no mercado ou expor os seus produtos”, disse.
Agostinho Hime, que também é um dos expositores desta edição, vê o FENACULT como a possibilidade para se criar um laço mais forte entre os artistas angolanos e o público.
“Todo o projecto em si já permite isso, porque geralmente os produtos artísticos feitos no país são ainda muito limitados a espaços definidos. Com o festival as pessoas podem estar mais próximo dos produtos, dos artistas e ter uma opção de escolha mais ampla”, destacou o responsável.
A vice-governadora da Huíla para o sector político e social, Maria João Chipalavela, que fez a inauguração oficial do FENACULT na província, considera o festival “a porta aberta para novos investimentos na cultura e a possibilidade de a fazer renascer, não só a nível local, mas também nas demais regiões do país, onde os mercados artísticos ainda não se fazem sentir a cem por cento”.
“O festival vai ajudar também a fortalecer a identidade dos angolanos, bem como a resgatar princípios e hábitos típicos do país, que devido a actual aculturação dos jovens começam a se perder ou a ficar deturpados. É uma oportunidade de invertermos o quadro e ajudar a juventude a entenderem e a apostarem mais na cultura, promovendo também a unidade nacional entre estes”, disse Maria João Chipalavela.

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