Festa da Cultura encerra hoje em todo o país

Adriano de Melo |
20 de Setembro, 2014

Fotografia: Paulino Damião

Depois de vários dias de actividade, viagens de comboio por algumas províncias do país com artistas de diferentes regiões, a II edição do Festival Nacional de Cultura termina hoje, às 16h00, com um mega espectáculo, a ter lugar no Estádio Nacional da Cidadela, em Luanda.

Entre os inúmeros eventos desta edição, o facto mais relevante foi a sua abrangência, uma vez que procurou ser o mais inclusivo possível, não só em termos de criadores como também das várias artes apresentadas e diversidade temática, com a realização de palestras e colóquios sobre o actual estado da Cultura e as perspectivas de recuperarmos mais a identidade nacional.
A realização da Feira das Indústrias Culturais, que permitiu aos produtores e criadores nacionais mostrarem as suas potencialidades aos estrangeiros, foi outro dos aspectos relevantes desta edição, uma vez que as limitações dos mercados têm sido um entrave à divulgação das reais potencialidades dos artistas angolanos.
Com o FENACULT foi possível romper, um pouco, estes limites e vermos as criações de artistas de outras províncias no dinâmico mercado da capital, assim como as de criadores de Luanda noutras paragens.
A realização de festivais de teatro, dança e música, à margem das festividades, ajudou a disseminar a ideia daquilo que era pretendido do FENACULT: uma festa nacional, ao alcance de todos.
Hoje, após o mega espectáculo, as festividades cessam, mas deixam a perspectiva de dias melhores para os artistas angolanos, através de novos acordos ou da possibilidade de terem impressionado os empresários e outros amantes das artes com os seus trabalhos. Agora resta o “amanhã”, quando todos nos voltarmos a reunir em torno da Cultura na próxima festa.

Prós e contras

Uma das grandes vantagens do FENACULT foi ter possibilitado a inauguração, ou reabertura, de “outros palcos”, em especial para o teatro e a dança. A abertura de cinemas, como o Monumental, em Benguela, e a reabilitação de tantos outros em Cabinda, foi um ganho único para os grupos de teatro, por abrir a possibilidade de um maior crescimento da dramaturgia local e de maior intercâmbio entre colectivos de diferentes regiões, de forma a reforçar os laços que os unem. A assinatura de novos acordos de parceria entre pares é outro dos benefícios desta edição, assim como a troca de experiências entre artistas e grupos consagrados, com muitos dos novos talentos convidados a participar nas actividades.
A possibilidade de as pessoas conhecerem muitas outras culturas e um pouco mais sobre a vida quotidiana de várias províncias, assim como as suas realidades sociais, foi francamente positivo.
Apesar das inúmeras vantagens e da grande diversidade de que se compôs, o festival ainda deixou muito por conhecer, uma vez que nem toda a cultura e tradições das etnias que compõem o vasto mosaico cultural do país puderam ser exibidas nos vários “palcos” montados.
A criação de programas de entretenimento, que permitissem aos pais levar os filhos a conhecerem a cultura nacional e a sua diversidade, é outro aspecto que faltou incluir nesta edição, porque a recuperação da identidade passa também por incutir mais e novos conceitos às nossas crianças.

O espectáculo
 
Bonga, Paulo Flores, Yannick (Afroman), Yuri da Cunha, Os Lambas, Waldemar Bastos, Puto Português, W King, Noite e Dia, Eddy Tussa, Própria Lixa e Pedro Cabenha constam da lista de artistas convidados para a cerimónia de encerramento do Festival Nacional de Cultura (Fenacult2014), a ter lugar este sábado, no Estádio Nacional da Cidadela, em Luanda.
Com a abertura dos portões marcada para às 16 horas e com entradas livres, a organização do evento vai também contar com as participações de Baló Januário, Maya Cool, Calabeto, Carlos Lamartine, Lulas da Paixão, Konde, Legalize, Armanda Cunha, Ricardo Lenvo e Margareth do Rosário. Em nota de imprensa, a que a Angop teve acesso, a organização avança que o guião artístico inclui ainda Sandokam, Os Kalibrados, Kid MC, Nelo de Carvalho, Gaby Moy, Isidora Campos e Tony Nguxi, as bandas Yetu, Maravilha, Olímpia, Zanje, Angola 70 e Afro Sound Star.
Num cardápio musical preparado para todas as sensibilidades e gostos musicais, o palco do Estádio Nacional da Cidadela vai também testemunhar as exibições de Dérito, Proletário, Robertinho, Prado Paim, Zona 5, Mário Matadidi, Samanguana, Nono Manuela e Pepepito e Clara Monteiro.
Para além da música, o público vai ter igualmente a oportunidade de ver e ouvir ao vivo os grupos de dança Yaka, Mutuenu, Tunga Zola, Ballet Kilandukilo, Ombenbwa, Kamatemba, Akixi  Cianda e Semba Muxima. Apostados em colocar ao dispor do público a diversidade cultural angolana, a organização do FENACULT vai levar também ao palco o humor, com a turma Cómica dos Segredos e Papa Ngulo e Xico Cachico.
O FENACULT serviu como ponto de promoção da coesão, unidade e da diversidade cultural de Angola, bem como da preservação e divulgação da identidade nacional.

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