Cultura

Festa da música encerra nos palcos da Trienal

Mário Cohen |

Uma verdadeira festa da música é o que se pode resumir dos cincos dias que marcaram a segunda edição do Festival Zwá, que reuniu nos palcos do Palácio de Ferro, sede da Trienal de Luanda, 40 bandas e músicos nacionais, igual número de espectáculos e horas de concertos em quatro espaços.

Grupo folclórico Kituxi foi o primeiro a actuar no último dia do festival de música da Trienal
Fotografia: Contreiras Pipa | Edições Novembro

O grupo folclórico Kituxi, uma das principais referências da música tradicional angolana, foi o primeiro a actuar na segunda-feira, último dia do festival, com início às 16h00 que se estendeu até às zero.
Interpretando ritmos da terra em língua quimbundo, na voz de Jorge Mulumba (hungo, puita, lata e voz), Zé Fininho (dikanza), Inó Gonçalves (ngoma solo), Raul Tulingas (ngoma baixo) e Nando Francisco (mukindo), o grupo fez uma incursão pelos temas da sua discografia composta por “Ngitabulé”, “Dingongenu”, “Kufikissa” e “Kene kimoxi”.
O grupo, fundado a 13 de Maio de 1980, é o mais internacional de Angola, com actuações na Hungria, Zimbabwe, Suécia, Alemanha, Rússia, Jugoslávia, Noruega, Brasil, Bulgária e Portugal.
Depois do grupo Kituxi, foi a vez da banda Enogi do Namibe, que durante uma hora interpretou vários sucessos africanos, levando o público a uma viagem ao passado com temas como “Carapinha dura”, de Teta Lando, “Malaika”, da cantora e compositora sul-africana Miriam Makeba, gravado em 1974, assim como do cabo-verdiano Tito Paris. Katiliana Capindiça, uma das vozes promissoras da música nacional, fruto do projecto oficina musical da Trienal, cantou temas de cantores angolanos, com destaque para “Choro de Oliveira” e “Lemba”, de Filipe Mukenga, acompanhada por João Oliveira (teclado), João Guia (sopro), Divino Larson (guitarra solo), KD Kabuiko (baixo), Bermas Pascoal (percussão), Gildo Umba (bateria) e Celder de Almeida (coro).
A banda Welwitchia também se juntou à festa de encerramento do festival, com o vocalista principal Legaliza, integrada por Botto Trindade (guitarra solo), Carlos Timóteo (baixo), Zeca Tirilene (guitarra ritmo), Joãozinho Morgado (congas), João Diloba (bateria), Juju Lutma (teclado), Mãezinha e Ruth (coro).
A banda Next actuou antes de Mito Gaspar, um dos maiores expoentes da música contemporânea angolana e vencedor do Prémio Nacional de Cultura e Arte, edição 2016, na categoria de Música. Acompanhado pelos  músicos e instrumentistas Marito Furtado (bateria), Moreira Filho (guitarra baixo), Miqueias Ramiro (teclado), Isaú Baptista (solo), Lázaro Guterre (trobone), Raidel Ortiz (tropete), FA (percussão), Djamila Mercedes (coro) e Betty Tavira (coro), Mito Gaspar interpretou vários temas do seu repertório.
Gabriel Tchiema, um exímio guitarrista, autor de sucessos como “Azulala”, “Pibinda” e “Mulekeleke”, foi o penúltimo artista a cantar, acompanhado por Pedro Bansimba (teclado), Mavinga Ndombasi (guitarra solo), Roberto Zola (percussão), Lubanzádio Gabriel (percussão) Mavinga Bunga (guitarra baixo) e Sandra Samanta (coro).
O espectáculo do último dia do festival encerrou com a actuação do projecto Lundongo no Lwandu, composto por Ndaka yo Wini (voz), Jackson Nsaka (bateria), Kris Kasinjombela (baixo), Moisés Lubanzádio (teclado), Dalú Roger (percussão) e Nsangu (guitarra).
Este ano, o Festival Zwá homenageou os músicos André Mingas, Zé Keno, Wiza e Mário Silva pelo seu contributo à preservação e divulgação da música angolana. A iniciativa, enquadrada na III Trienal de Luanda, é da Fundação Sindika Dokolo.
Refira-se que o compositor Xabanu foi o artista homenageado na edição passada do Festival Zwá, no dia 28 de Agosto de 2016.
O Festival Zwá é um projecto desenhado em 2008, quando a fundação pensava seriamente na criação de uma revista cultural, mas não via sentido fazê-la sem começar por um festival.

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