Festa do Teatro abre as portas no Cazenga

Adriano de Melo |
11 de Julho, 2014

Fotografia: Kindala Manuel

A nona edição do Festival Internacional de Teatro do Cazenga (FESTECA), que começa hoje às 16h00, no Centro de Animação Artística do Cazenga, aposta na diversidade e qualidade temática e técnica dos espectáculos nacionais, disse o seu director.

Orlando Domingos afirmou que uma das apostas deste ano são "as oficinas de formação e de intercâmbio entre actores" e que os “convidados especiais são os grupos moçambicanos Girassol e Hopangalatana e o português JGM.
As acções de formação, disse, são das melhores saídas para melhorar a qualidade das peças dos grupos de vários municípios de Luanda. “A ideia é apresentarmos várias perspectivas sobre a sociedade angolana a partir da visão de grupos de teatro", disse.
A organização homenageia nesta edição, pelo contributo que têm dado às artes cénicas, Gaspar Pitra André, director do grupo Delírio Azul, o primeiro grupo de teatro do Cazenga, Roldão Ferreira, Aureliano Quaresma, conhecido na teledramaturgia como avô Pena, Ana Paula Correia Victor, directora do Memorial Agostinho Neto, e Daniel Sebastião, precursor do teatro na Igreja Metodista.
Estas personalidades, declarou, foram escolhidas por um júri que avaliou o trabalho que elas fizeram desde a época colonial até 2000 e o impacto que tiveram na sociedade em geral e no teatro, em particular. A primeira peça apresentada hoje é “Sonhos de Rua", do Njila, às 17h00.
O director do FESTECA disse ao Jornal de Angola que dos grandes problemas do teatro angolano “é a falta de palcos que se vai manter, a não ser que os grupos comecem a encarar a possibilidade de se apresentarem fora dos espaços tradicionais".
Orlando Domingos salientou que esta opção de apresentar teatro pode aproximá-lo mais do público.  O problema, referiu, é que ainda não temos formação suficiente para avançar com esta possibilidade, das principais apostas em vários países, um dos quais a África do Sul. O director do FESTECA lamentou a falta de conhecimentos técnicos de alguns encenadores angolanos, o que os impede de atingirem o nível dos de outros países.
 “O teatro é das melhores formas de educar ou formar jovens talentos, mesmo no canto ou na dança, mas a falta de recursos financeiros ou a sua má gestão provocam a estagnação e apenas se mantém activo pelo esforço de quem o faz. O FESTECA tem uma programação diversificada assente em espectáculos, acções de formação para actores e projectos de intercâmbio cultural. Amanhã às 19h00 é apresentada a peça “Ku-Kiaze", pelo Etu Lene e realizam-se as palestras “As Tendências Inovadoras do Teatro Angolano", por Felisberto Filipe, e “O Papel do Teatro Comunitário na Mobilização dos Jovens para o Desenvolvimento", pelos moçambicanos Carlos Cherinda e Cremildo Matalva. No mesmo dia realiza-se o primeiro Café Teatro. Domingo o destaque recai na Companhia Hopangalatana, que apresenta às 19h00 “O Roubo e os Génios".

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