Cultura

Festeca aposta na partilha como factor de unidade

Manuel Albano

A 14ª edição do Festival Internacional de Teatro do Cazenga (Festeca) entra hoje no antepenúltimo dia, com a realização, às 10h00, no Centro de Animação Artística do Cazenga (Anim’Art), em Luanda, de uma oficina de teatro e intercâmbio cultural, orientada pela Companhia brasileira Estrela d’Alva.

Cazenga encontra-se animado com exibição de teatro de luxo
Fotografia: DR

De acordo com a directora do Festeca, Felismina Sebastião, o programa do festival reserva, também, hoje, às 16h00, no Anim’Art, a apresentação do espectáculo de intervenção urbana, pela Companhia Deslimitadas, do Brasil.

De acordo com o programa, 30 minutos depois, o Anim’Art receberá a visita do embaixador de França em Angola, Sylvain Itté, que na ocasião vai inaugurar uma sala de aulas onde vão ser ministradas lições de língua francesa para adolescentes e jovens.
Esta acção resulta do trabalho de parceria e cooperação entre o Centro de Animação Artística do Cazenga (Anim’Art) e a Alliance Française de Luanda, no domínio cultural, com apoio da Embaixada de França em Angola.
A partir das 18h00, será exibido o espectáculo “L’École des Femmes”, pela Companhia Tic Tac, do Cazenga, criação baseada na peça homónima do dramaturgo francês Molière, de 1662, adaptada, como comédia, para os palcos e a realidade angolana.
A sátira, sob a direcção de João Garcia dos Santos, tem a duração de 50 minutos e conta a história de um homem que procura ter uma mulher bela e tímida, sempre em casa. O espectáculo é um desafio à Companhia Tic Tac pelo facto de já ter sido adaptada antes por muitos outros colectivos, de vários países.
Para o encerramento das actividades do dia de hoje, está reservada a exibição do espectáculo de teatro “Procura-se Boa Pessoa Para Casar”, do grupo Ombaka, de Benguela, uma peça que procura levar a uma reflexão comparativa sobre as relações conjugais na contemporaneidade.
Amanhã, o programa do Festeca abre às 8h00, com a realização do “Café Teatro”, seguido, às 9h00, da conferência de teatro sobre “Parcerias para o desenvolvimento do teatro nos PALOP”, orientada pela moçambicana Gigliola Zakara, directora do grupo de CRA, de Maputo.
Uma hora depois, está reservada a realização da conferência “Pedagogia no teatro”, proferida por actores da Companhia brasileira Estrela d’Alva e do colectivo Deslimitadas, seguindo-se, às 11h00, a última conferência desta edição subordinada ao tema “Festivais de teatro e mobilidade artística em África”, por Sabino Baessa, director da companhia Fladu Flá, da cidade da Praia, de Cabo Verde.
O programa do Festeca reserva para amanhã, às 15h00, uma performance da Companhia angolana Tic Tac. Uma hora depois, a Companhia moçambicana de Teatro Mbeu apresenta “O Coelho Assalta as Lancheiras”.
A última actividade de amanhã está agendada para as 20h00, com a exibição do espectáculo “O Crocodilo” do grupo brasileiro Estrela d’Alva.
Para domingo, dia do encerramento da edição 2019 do Festeca, o programa reserva o espectáculo “Firmino Roboteiro”, pelos anfitriões, grupo Tic Tac do Cazenga, no Anim’Art, seguida da apresentação do relatório do festival, outorga de certificado aos participantes e atribuição de diplomas de mérito.
Nesta edição, participam, além de grupos nacionais, da África do Sul, Brasil, Moçambique, Cabo Verde, Portugal e Estados Unidos.
O objectivo, explicou Felismina Sebastião, é incentivar a partilha e enaltecer a diversidade como factor de unidade dentro do teatro, através de debates e encontros entre encenadores, directores e actores dos vários grupos convidados desta edição.
Este ano, a direcção do festival, organizado pela Associação Globo Dikulu, distinguiu a dupla cómica KK (Kunda & Kapuete), composta por Julião Correia e José Gonga, pelo contributo dado, durante vários anos, ao crescimento do teatro, em particular no Cazenga.

Troca de experiências
Para o presidente da Associação Globo Dikulo, Orlando Domingos, a realização do Festeca é sempre uma oportunidade para dar a conhecer outras realidades sociais, assim como a melhor forma de incentivar a troca de experiências entre os artistas.
Orlando Domingos considera o Festeca, actualmente, na sua 14ª edição, um projecto que conseguiu ir além das expectativas, que começou como comunitário e hoje tornou-se internacional. “É preciso que haja mais iniciativas do género, não só no teatro, que até tem dado boas provas de crescimento, em termos de festivais internacionais, mas também noutras artes”, terminou.

a.



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