Cultura

Festeca cria parcerias na produção de dramas

Manuel Albano

A cooperação entre a organização do Festival Internacional de Teatro do Cazenga (Festeca) e a Associação Raízes do Brasil tem gerado frutos proveitosos no domínio da troca de experiências e parcerias culturais, disse, ontem, em Luanda, a directora do projecto, que fez um balanço positivo desta edição.

Organização pretende colocar o Festival do Cazenga entre os melhores do mundo
Fotografia: Alberto Pedro | Edições Novembro

Para Felismina Sebastião, o Festeca deste ano foi muito produtivo e deu a possibilidade de se abrirem novas portas no campo da cooperação entre os grupos convidados. Em declaração ao Jornal de Angola, a directora disse que o protocolo, assinado desde 2018, tem privilegiado acções que assentam nas áreas de espectáculos de teatro, assim como na produção e valorização cultural.

Dentro deste acordo, explicou, está no país, até ao dia 30, uma delegação composta por actores, escritores, dançarinos, produtores, directores e músicos brasileiros que vão trocar experiências com os angolanos, na capital, em Benguela e no Cuando Cubango.
O projecto, adiantou, prevê, ainda, uma segunda fase de oficinas, em Outubro, a ser orientada por técnicos angolanos, no Brasil.
A 14ª edição do Festeca, disse, que decorreu de 4 a 14 deste mês, no Centro de Animação Artística do Cazenga (Anim’art), permitiu aos grupos convidados, entre nacionais e estrangeiros, consolidar o intercâmbio cultural, utilizando a “partilha e a troca de conhecimento” como palavras chaves. “O objectivo foi cumprido”. referiu.
Este ano, relembrou, o Festeca contou com a participação de 21 grupos, dos 24 previstos, vindos da África do Sul, Brasil, Moçambique, Cabo Verde, Portugal e EUA, além dos nacionais. Em relação ao ano passado o festival obteve um total seis mil assistências, uma média de 600 espectadores por espectáculo.

Associação
Um dos pontos alto do Festeca deste ano, disse Felismina Sebastião, foi a preparação da reunião da Associação Internacional de Teatro para a Infância e a Juventude (Assitej). “Doravante vamos apresentar o relatório das actividades como membro da associação”, esclareceu. O encontro, explicou, serviu para preparar a participação de Angola na reunião dos membros da Assitej e no Congresso Internacional, a ter lugar em Setembro, na cidade de Oslo, Noruega. A meta, continuou, assim como nos anos anteriores, é colocar o Festeca e os artistas angolanos na “rota dos grandes festivais mundiais de teatro”.
O Festeca, destacou, tem procurado mostrar, através das artes cénicas, em particular o teatro, que há enorme possibilidade de se criar novos paradigmas e incentivar os jovens criadores, assim como os novos talentos a despontarem nas suas comunidades.

Parcerias
Para Felismina Sebastião é preciso também elogiar o empenho de determinadas instituições nacionais dispostas a apoiar o teatro nas suas comunidades, assim como as administrações locais e Ministérios, cujos contributos são decisivos à realização de projectos, de carácter internacional.
Nesta edição, disse, a organização do Festeca contou com o apoio da Administração do Cazenga e dos Ministérios da Cultura e da Juventude e Desporto, além de parcerias da Cash Carry e empresa Angonabeiro.
“As artes nacionais só podem ser desenvolvidas com o apoio de instituições públicas e privadas. Os mecenas devem aproveitar estes festivais para firmaram parcerias que sejam vantajosas para ambas partes, porque os empresários podem tirar proveito desses protocolos, uma vez que a arte pode ser uma fonte de rendimentos e promoção de marcas”, disse.
Por esta razão, nas futuras edições do Festeca, Felismina Sebastião prevê maior envolvimento das instituições públicas e privadas nacionais, assim como a criação de novas parcerias. “Já existe no país uma maior sensibilidadeda classe empresarial nas questões culturais”, reconheceu.

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