Cultura

Festival prometia o paraíso mas “meteu água”

Analtino Santos

Sábado, domingo e segunda-feira, véspera do feriado do Dia do Herói Nacional, bem defronte a Casa dos Desportistas, entre a maré baixa e a pouca afluência de público nos dois primeiros dias, o evento não será facilmente esquecido, dada a falta de rigor organizativo.

Fotografia: DR

Dias depois do evento, Chapa Quente, pela organização, justificou as falhas, acusando alguns patrocinadores que à última hora não honraram as promessas. Chapa Quente prometeu dar mais detalhes, mas, até ao momento do fecho desta edição do caderno Fim-de-Semana, não tivemos os tais detalhes.

O Festival, que na abertura teria como principal atracção o rapper brasileiro Emicida, este passou completamente despercebido, até mesmo para os habitantes da Ilha. O que era para ser uma festa paradisíaca teve outros contornos. Dos artistas agendados apenas OG Vuino (Vui Vui dos Kalibrados), Sarissari, TRX e a animação dos Djs estiveram presentes, tentando colocar pensos quentes na organização. Esta alegou questões técnicas para a ausência do brasileiro Emicida, remarcando a sua actuação para o dia seguinte.
O cenário ainda nem estava montado, as 17 horas do dia seguinte, quando foi dito e reiterado, em conferência de imprensa, que a partir do meio-dia, o paraíso para conviver em família, seria no Festival de Praia Triplaus Paradise. Longe das cerca de 10 mil espectadores que a organização previa, apenas umas cinco centenas de pessoas fizeram-se presentes para curtir e encarar a tarde de verão. Pouco depois das 18.30, com o check-som quase concluído, continuava a tocar a música ambiente.
Neste dia, o animador em serviço, o jovem MC, foi incansável a tentar prender as poucas almas presentes. Posteriormente, a organização optou em dar oportunidade a novos talentos e artistas, que não estavam no alinhamento inicial. Um outro recurso, e que é comum em eventos que não cumprem os horários, era anunciar que determinados artistas estavam a caminho ou que acabavam de chegar. Nomes como Nagrelha, Ary, Eva Rap Diva, Titica e o brasileiro Emicida eram dos mais citados como trunfos. Edgar Domingos e OM Puff ( Namíbia e Angola), foram dos poucos que actuaram até a nossa retirada (21.37)
No último dia, o positivo foi uma maior moldura humana, apesar de ainda estar longe do previsto. Nesse dia, ainda foi possível ver a DJ brasileira Cristina Guimarães, dentre outros, que não foram previamente anunciados pela organização. Um dos grandes momentos foi a presença do DJ Lutonda, por sinal um dos mais solicitados e apreciados do momento. Apresentou uma selecção que fez esquecer as falhas do festival.
Halison Paixão e Gerilson Insrael, os dois finalistas do Top dos Mais Queridos, não apenas interpretaram os seus principais sucessos, como aproveitaram o momento e apelaram ao voto em si próprios. Outros artistas da Cle Entertainment estavam a ser anunciados, e, mais uma vez, a jogada do dia anterior continuava. Biura, Preto Show, Mobbers, Scro Que Kuia, Força Suprema e a brasileira Ludmila, quando a animação parava, serviam como elementos motivadores e para mostrar que valia a pena continuar na praia, no que se previa ser um ambiente em família
Um dos poucos bons momentos ocorreu quando o excêntrico Dabeleza (kudurista que é mais conhecido fora do campo musical) pediu desculpas pelos transtornos causados, como a falta de luz nas barracas de alimentação e no palco.
O grupo de rap Força Suprema e a brasileira Ludmila, assim como as outras atracções, cujas actuações foram alteradas para o fecho do dia, conseguiam manter ainda algumas pessoas no local, mas, tal como no dia anterior, já não existiam condições para continuar a fazer a cobertura jornalística.
Tentando, mais uma vez, solicitar informações antes de abandonarmos o recinto, a organização não garantia, com exactidão, o alinhamento e os artistas ainda não estavam sequer no local. Uma fonte de uma empresa contratada pela organização, esgotada pela pressão que recebia, e que pediu o anonimato, afirmou que não entendia as razões de tanto incumprimento, remetendo toda a responsabilidade a Francisco Valente, o Chapa Quente, que não se cansava de reiterar que os artistas programados iriam subir ao palco.
O Festival de Praia Tripalus Paradise voltou a trazer à baila a questão da publicidade enganosa nos espectáculos musicais, e não, o que demanda maior rigor das entidades que regulam ou subvencionam os eventos culturais, assim como das marcas que se associam a tais actividades.
Aguardamos que Chapa Quente "abra o livro", não o do hit da kudurista Noite Dia, aliás uma das artistas que constava do cartaz, e que para esta peça não é chamada... No Festival de Praia Tripalus Paradise o show foi mesmo da organização, no pior sentido. E é caso para dizer que o Festival de Praia meteu água…

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