Festival de arte urbana revitaliza forte militar


18 de Julho, 2014

Fotografia: DR

Escondido entre a vegetação e a má reputação dos arredores de Paris, o Forte de Aubervilliers se transformou num efémero museu ao ar livre durante o festival In Situ, onde mais de 50 artistas de rua trabalham sob a temática comum da transformação.

Neste caso, carrinhas abandonadas, carros corroídos e muros de tijolos servem de telas aos artistas que vieram de diferentes partes do mundo com um único objectivo: mudar a história deste renegado terreno da periferia parisiense.
Em entrevista à Agência Efe, o urbanista francês Olivier Landes explicou que modelar o passado e o futuro á volta do Forte de Aubervilliers é um dos principais objectivos do festival In Situ.
Landes, responsável pela organização de arte e arquitectura Art en Ville, confessa que “aproveitaram a mudança de inquilinos” para fundar um festival de arte urbana sem precedentes na Europa e num lugar com uma história muito pouca artística.
O forte, que Landes descreve como um lugar “secreto, mítico e inquietante”, foi construído como fortificação militar no século XIX, mas nas últimas décadas abrigava as instalações de uma empresa de desmontagem de automóveis e outra de serviços de guindastes. Actualmente, o local encontra-se desocupado, mas a sociedade francesa AFTRP planeia uma importante transição urbanística na região, com a edificação de um bairro ecologicamente sustentável, objectivo que também inspira os murais dos artistas.
O mural de um capacete militar do qual brota vegetação relembra os anos de guerra na Europa, nos quais o Forte de Aubervilliers tinha a função de proteger o nordeste de Paris perante o avanço das tropas da Alemanha, mas também estabelece uma metáfora sobre esse renascer da região. Outro exemplo do simbolismo das obras é a pintura do rosto de uma mulher através de traços coloridos, que adianta a futura chegada de novas moradoras a um contexto historicamente masculino de militares e mecânicos. Outra intervenção artística memorável é o monumental mural do artista cubano Jorge Rodríguez Gerada, que imortaliza o rosto de uma moradora do bairro sobre a superfície de 1,4 mil metros quadrados de um antigo estacionamento.
Rodríguez fixou-se nos traços de Nicole Picquart, uma mulher aposentada que colabora como voluntária em trabalhos de integração de imigrantes na França, porque procurava representar “uma personagem anónima com impacto numa população complicada”.
O artista identificou-se especialmente com o trabalho social de Picquart, já que, devido à sua infância nos Estados Unidos, conhece bem as dificuldades de adaptação que as famílias emigrantes sofrem.
Os seus trabalhos, segundo referiu à Efe, “não são homenagens a reis nem a políticos, e também não são feitos para ficar como o túmulo de Napoleão”. Rodríguez diz que a sua obra fala de “gente que faz coisas do bem e na actualidade”. Este espaço de exposição atípico conseguiu atrair um total de 13 mil visitantes desde a sua abertura, no passado dia 17 de Maio.

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