Cultura

Festival de Teatro do Cazenga homenageia figuras das artes

Manuel Albano |

Recorrer ao feitiço para um enriquecimento ilícito a todo o custo, pondo em risco a tradição e a sua própria família é um dos aspectos relevantes e marcantes da apresentação da peça “Uije Uijia” do grupo Etu Lene, um dos mais consagrados do país, que abriu, quarta-feira a 12.ª edição do Festival Internacional de Teatro do Cazenga (Festeca), Centro de Animação Artística do Cazenga Anim’art.

Espectáculo “Uiji Uijia” do Etu Lene abriu na quarta-feira a festa de artes dramáticas no município do Cazenga
Fotografia: Dombele Bernardo | Edições Novembro

Sob o lema “Juventude, arte e cidadania, o futuro nas nossas mãos” e na presença do secretário de Estado da Cultura, João Constantino, e do administrador do município do Cazenga, Victor Nataniel Narciso, um dos homenageados enquanto autor de textos dramáticos, o grupo mostrou porque é considerado um dos melhores no mercado das artes dramáticas no país, com uma actuação de encher os olhos.
Durante o espectáculo representado por dez actores, o objectivo central da obra é desencorajar os cidadãos à prática do feiticismo, para se adquirir riquezas e outras vantagens sociais. Chonguita, vendedora de bebidas tradicionais (quimbombo e caporroto), vê de repente o seu negócio a prosperar sem saber as reais causas de tanto sucesso nos negócios. Preocupada com os lucros que não são normais para o tipo de negócio que comercializa, começa a questionar-se as razões de tantos lucros. Todavia, o seu filho tenta convencer a mãe de que tudo é bênção de Deus e que não deveria preocupar-se. Embora a vida tenha mudado, decide ir à procura de uma resposta a um quimbandeiro, para dar resposta às suas inquietações, sendo que um negócio simples e humilde não a tornaria rica.
Preocupado com a situação, o filho, que recorreu à prática do feitiço com o intuito de se tornar um jovem de negócios bem-sucedido na vida, antecipa-se a vai à procura novamente do quimbandeiro, propor que eliminasse também a sua progenitora e assim continuar a manter o segredo, visto que, para alcançar a fama, teve que se envolver com a sua mãe, numa das exigências do tratamento. Recheada de emoção e muito suspense, o público rendeu-se ao talento de um grupo, que já conquistou o Prémio Nacional de Cultura e Artes 2002 com a mesma obra, e, em 1995, arrebatou o Prémio Revelação de Teatro “Angola - 20 anos”.
A 12.ª edição Festeca, que termina no próximo dia 16, no palco do Centro de Animação Artística do Cazenga Anim’art, reconhece igualmente o trabalho desenvolvido pelos grupos Os Tuneza e Etu Lene em prol das artes.

Aposta no produto nacional


O presidente da Associação Angolana de Teatro (AAT), Adelino Caracol, afirmou, quarta-feira em Luanda, ser necessário uma maior aposta nos quadros angolanos no sentido de continuar-se a valorizar as artes cénicas, em particular o teatro nacional.
O responsável disse que os festivais têm permitido a criação de uma outra dinâmica e possibilitam dar uma maior visibilidade nos trabalhos apresentados pelos grupos nacionais e permitem um maior intercâmbio entre os grupos nacionais e estrangeiros.
O teatro, explicou Adelino Caracol, está cada vez mais junto das comunidades, razão pela qual tem permitido a inclusão social.

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