Ficção científica regressa ao cinema


8 de Novembro, 2014

Fotografia: AFP |

“Interstellar” é o título do novo filme de Christopher Nolan, exibido, ontem, em antestreia europeia no IMAX de Londres, considerado pelos críticos “um novo marco da ficção científica”.

“Deslumbramento, êxtase e espanto” são alguns dos adjectivos com que a imprensa britânica brindou “Interstellar”, “uma das maiores apostas deste ano do cinema norte-americano”.
O filme, orçado em 160 milhões de dólares, tem efeitos visuais inovadores, com recurso à captação de imagens por uma câmara não digital IMAX.
Christopher Nolan declarou, no final da sessão, que depois de “Gravidade”, de Alfonso Cuarón, o sucesso de um filme como “Interstellar” “pode mudar a face da ficção científica em Hollywood”.
O realizador disse que procurou “explorar mais a profundidade filosófica e existencial”, mas que receia “ter caído na superficialidade do fascínio pelos efeitos especiais e truques”.
Mas, salientou, a força do filme está nas suas imagens, já que a história é óbvia.
“Para mim, o filme é sobre ser pai. O sentimento de estar a envelhecer e os filhos a crescer”, referiu e revelou ter escrito o argumento, com base no original do irmão, Jonathan Nolan, assente nas teorias científicas desenvolvidas por Kip Thorne, físico do Instituto de Tecnologia da Califórnia e especialista em Teoria da Relatividade.
O realizador Quentin Tarantino, autor dos filmes “Django Livre” e “Bastardos Inglórios”, disse ao jornal inglês “The Guardian” que “há muito tempo que não aparecia ninguém com uma visão tão grande sobre as coisas”.
“Até mesmo os pormenores, como o pó da terra devastada, constam do filme, algo pelo qual não se espera num filme de aventura e ficção científica”, afirmou.
O sucesso do filme não se limita à crítica. Já era um êxito de bilheteira antes da estreia. Na “Variety” lê-se que o novo filme de Christopher Nolan arrecadou. nos Estados Unidos, 1,5 milhões de dólares apenas nas sessões de antestreia.

A história

No filme, a terra vive os seus últimos dias e as crises generalizadas levaram muitas pessoas a abandonar as profissões e a tornarem-se fazendeiros para terem os alimentos básicos.
Mas, os solos de todo o mundo estão bastante degradados devido a uma praga que atinge as plantações, além de haver uma persistente nuvem estranha de poeira, o que leva os cientistas a pensar na possibilidade de explorarem novos planetas, em outras galáxias. Quando um buraco de minhoca é descoberto, exploradores e cientistas unem-se para embarcar através dele, transcendendo os limites normais de uma viagem espacial humana. Pela primeira vez na História há uma viagem interestelar.
Além do ficcional, Christopher Nolan procura também explorar o drama, pela relação conflituosa entre Cooper (Matthew McConaughey) e a filha, que têm uma plantação de milho, mas estão à beira da falência.
Cooper, que fora piloto e sonhava ser astronauta, mas não concretiza o sonho porque a estação NASA fecha o seu programa espacial após a crise, descobre haver a possibilidade dos humanos viverem noutro planeta. O engenheiro viúvo tem então uma difícil decisão a tomar: deixar ou não os dois filhos para se juntar à viagem única para salvar toda a humanidade de uma Terra ambientalmente devastada pela natureza para encontrar um novo planeta habitável noutra galáxia.
O mentor do programa é Brand (Michael Caine), responsável pelo Projecto Lazarus, que tenta descobrir outra galáxia, com planetas compatíveis com a terra, a partir de um buraco negro próximo de Saturno.
O cientista decide então reunir uma equipa constituída por Amelia (Anne Hathaway), filha do Professor Brand, Romilly (David Gyasi), um astrofísico, Doyle (Wes Bentley), o co-piloto, e um robot, denominado TARS (Bill Irwin).

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