Filarmónica de Paris abre as portas ao público


24 de Janeiro, 2015

Fotografia: Divulgação

A nova Filarmónica de Paris abre no fim-de-semana de semana as portas ao público, após cinco anos de obras, para ser a nova meca da música francesa, anunciou o maestro e compositor Pierre Boulez.

O projecto criado pelo arquitecto Jean Nouvel há quase 15 anos ainda não foi terminado e tem zonas interditas, gruas instaladas, mobiliário que ainda não chegou, os restaurantes fechados, os acessos condicionados e as grandes passagens desenhadas pelo arquitecto francês, que permitiam maior “diálogo visual” entre os artistas e o público, continuam por concluir.
Dentro de meses abrem mais espaços, sobretudo os de exposições e restauração, bem como salas de ensaios e acolhimento. Somente depois de Julho o público tem acesso ao terraço, onde 700 pessoas podem observar “a mais bela vista sobre a região parisiense”, disse Laurent Bayle, director da Filarmónica e discípulo de Pierre Boulez.
“Havia um compromisso público de abrir esta casa”, reafirmou Laurent Bayle, que vê a Filarmónica como um “outro modelo” de arte e “uma experiência colectiva”, que está acima de uma sala comum de concertos.
A maioria dos músicos e espectadores, crianças e os pais, experimentados melómanos e curiosos em iniciação podem “encontrar-se com a música”, disse Laurent Bayle, enaltecendo o espaço, para ele muito semelhante ao Centro Georges Pompidou, aberto no final dos anos 1960, que ajudou a desenvolver as artes plásticas. A nova Filarmónica está encravada num dos pólos do Parc de La Villete, na fronteira Este de Paris, onde o projecto de uma cidade para a música esperava há anos por uma conclusão. O edifício, de 52 metros de altura, “é uma mão estendida ao público”, disse Laurent Bayle.
O responsável quer encontrar um público novo para ajudar a afastar a ideia de que “esta é uma casa do público especializado”. “Vamos procurar criar uma relação de proximidade através do uso dos instrumentos”, destacou, confiante que o público, ajudado por uma política de preços para ver as grandes orquestras mundiais por 20 euros, vai contribuir também para estabelecer uma outra relação entre os artistas e o público.

Lugar de encontro

A música, vista como “um lugar de encontro”, não havia ainda conseguido “responder às novas práticas de consumo cultural exigidas pelas novas gerações”, agora com a filarmónica, destacou, “é possível ver esta arte como um grande projecto de pedagogia colectiva”.
“A variedade das formas musicais que transparece da programação responde as pessoas intimidadas perante uma instituição como esta”, acrescenta.

Casa de orquestras

A Filarmónica de Paris quer ser “a casa das orquestras” e, efectivamente, as formações residentes mostram a diversidade, mas também a complexidade, da programação. Com a inauguração do espaço juntam-se a Orquestra de Paris e ao Ensemble Intercontemporain, as formações residentes, três outras: a Orquestra Nacional de Île de France, de Câmara de Paris e também o agrupamento especializado em música barroca Les Arts Florissants.
Ao todo, são mais de 500 músicos, aos quais é preciso acrescentar o Coro da Orquestra de Paris, formação amadora mas preparada por vários profissionais que participa, pontualmente, em obras de repertório.

Inovações

Além destes grupos, a filarmónica apresenta uma programação intensa e variada, que vai da música clássica, nas suas composições sinfónica e filarmónica, à contemporânea (Pierre Boulez consta entre os homenageados), à ópera (com nomes como Monserrate Caballé, Jessye Norman) e à oratória (através de Marion Cotilard a intepretar Joana d’Arc em “Jeanne d’Arc au bûcher”, de Honegger e Paul Claudel).
Mas, disse Laurent Bayle, há também espaço para o jazz, já que Brad Mehldau tem uma presença significativa, as músicas do mundo e outras propostas, como “The Divine Comedy” e “Ute Lemper”. O cinema também tem espaço com filmes de Kubrick e Cocteau, assim como a dança, o teatro e as exposições a fazerem parte de um programa especial para “transformar a Filarmónica numa casa viva”.

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