Filme com Mussolini é descoberto nos EUA


11 de Outubro, 2014

Fotografia: DR

O filme “The Eternal City”, produzido em 1923 por Samuel Goldwyn, com Benito Mussolini no elenco, foi descoberto nos Estados Unidos e apresentado ontem, em Itália, no Festival de Cinema Mudo de Pordenone.

O diário “Il Messaggero” recorda que o filme foi rodado menos de um ano depois de Benito Mussolini e do Partido Nacional Fascista marcharem sobre Roma.
Há muito dado como perdido, talvez por ser politicamente embaraçoso, “The Eternal City” foi encontrado nos arquivos do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA) por uma investigadora, Giuliana Muscio. Do filme restam apenas as duas últimas bobines, equivalentes a 28 minutos.
“Em 1923 um filme que glorificava Mussolini e o fascismo não era para Hollywood uma tomada de posição desconcertante quanto possa parecer à posteriori. Naquela altura, as paradas fascistas pareciam feitas para o cinema e o ditador era como um herói popular”, disse Giuliana Muscio.
Realizado por George Fitzmaurice, “The Eternal City” adapta um best-seller homónimo do escritor Hall Caine, um melodrama que tem como pano de fundo as convulsões políticas que abalam Itália na segunda metade do século XIX. Nesta adaptação rodada em Roma, a história é actualizada para o presente, com fascistas e comunistas a lutarem entre si pelo controlo de Itália.
Mussolini limita-se a fazer de si próprio. Na cena final do filme, é visto no seu gabinete, situado no Palácio de Veneza, a conceder uma amnistia ao herói do filme, acusado de um crime político.
Mussolini, conta a investigadora, autorizou as filmagens com a condição d o filme ter um cunho pró-fascista. “De resto, os norte-americanos olhavam com interesse para a figura de um jovem líder que estava a pôr ordem no país, tido como um homem de acção, sem conotações negativas”, afirmou ao “Messaggero”.
Em 1933, a Columbia Pictures lançou o documentário “Mussolini Speaks”, supervisionado pelo próprio, em que o líder fascista é retratado como um herói e salvador da pátria. Na altura, o estúdio anunciou nas páginas da “Variety” que “o filme era um sucesso porque encontrava eco junto ‘de norte-americanos de gema’ e podia ser “a resposta para as necessidades da América”.

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