Filme de música angolana exibido ontem em Lisboa


12 de Abril, 2015

O filme que registou o projecto de documentação da música angolana “Yetu - A Nossa Música”, de Ulika da Paixão Franco, foi exibido ontem, em Lisboa, no Cinema São Jorge, no âmbito do Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa, que decorre até ao próximo dia 15.

Ulika da Paixão Franco explicou que foi "uma oportunidade rara” para a comunidade angolana em Lisboa e os espectadores portugueses verem a concretização do projecto, uma vez que pertence a uma colecção privada, do Banco de Desenvolvimento de Angola, que financiou a iniciativa.
“Yetu - A Nossa Música”, composto por um filme, um triplo CD e um catálogo, é o resultado de um trabalho de pesquisa de vários anos e concluído em Setembro, de uma equipa luso-angolana com o objectivo de documentar a música de Angola registada no século XX.
Em 2013, quando o projecto já estava em curso, Ulika da Paixão Franco explicou que a intenção era mostrar “a riqueza muito particular” da música angolana, que “influenciou muito a música do Brasil e a música portuguesa, ao nível do fado”. Foi no âmbito dessas pesquisas, que incluíram entrevistas a músicos e especialistas, que a equipa descobriu aquela que é considerada a primeira gravação de uma música urbana angolana, interpretada por angolanos, intitulada “Madya Kandimba”, e feita nos anos 1940, uma década antes do que se supunha.
“Esta colecção conseguiu sobretudo honrar os músicos, deu-lhes atenção, por não terem muitos apoios públicos”, explicou Ulika da Paixão Franco.
Entre os entrevistados para este projecto estão Nástio Mosquito, Eduardo Nascimento, Aline Frazão, os portugueses Paulo de Carvalho e Manuel Freire, Francisco Vasconcelos, da Valentim de Carvalho, e há referências a nomes da música angolana conhecidos em Portugal, como Bonga e André Mingas.
O documentário não tem pretensões de maior, sustenta Ulika da Paixão Franco, a produtora do projecto: “É um registo de um processo de trabalho, com entrevistas, imagens de arquivo e fotografias sobre o tema”.
Ulika da Paixão Franco elogia a iniciativa do Banco de Desenvolvimento de Angola por ter avançado com o financiamento, mas recorda que o projecto é agora uma colecção privada: “A única fragilidade é que não está acessível ao grande público. Mas é um passo importante para que entidades privadas apostem mais no financiamento da cultura em Angola, para que dependa menos do Estado. É importante fazer um trabalho de preservação da cultura”.

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