Filme recorda vivência dos protagonistas

Francisco Pedro |
25 de Junho, 2016

Fotografia: José Soares

O realizador do documentário “Independência”, Mário Bastos, afirmou quinta-feira, em Luanda, que contar a história que conduziu à independência de Angola foi um dos desafios enfrentados por ele, por não ter presenciado esses acontecimentos.

Mário Bastos respondia às perguntas dos colegas, de estudantes de História e de Comunicação Social, depois de terem assistido quatro capítulos do filme “Independência”, na segunda sessão de “Cinema@Debate”, na sede da União dos Escritores Angolanos (UEA).
Um dos aspectos marcantes para a equipa de produção, de acordo com o realizador, é o facto de ter constatado que a nossa memória “está esquecida”, quer as pessoas envolvidas no processo da luta pela independência, quer os espaços físicos, como Tarrafal, Missongo e vários lugares que serviram de base dos guerrilheiros.
“O filme não sofreu quaisquer censuras, foi finalizado de acordo com a nossa planificação. Houve, sim, auto-censura, mas nenhuma influência, nem dos patrocinadores”.
A motivação para assumir a realização, a imparcialidade da história, a textura e atmosfera cromática das imagens e os proveitos foram, entre outras questões, apresentadas ao realizador Mário Bastos.
Respondendo aos cinéfilos muito emocionados com o que viram, Mário Bastos referiu que foi convidado para um projecto de recolha de depoimentos, que seis anos depois resultaram no filme “Independência”, que na sua opinião não contém toda a verdade sobre o processo da luta pela independência, tem sim depoimentos “memórias de alguns protagonistas”.
Durante seis anos, houve mudanças de equipamentos, algo que interferiu quer na textura, quer no ambiente cromático. Sobre os proveitos, a recente premiação no “Cameroon International Film Festival” (Camiff), nos Camarões, e a passagem pela 37ª edição do Festival de Filmes Internacional de Durban, na África do Sul, que termina amanhã, dia 26, são alguns dos ganhos, embora tenha afirmado que “não são os prémios, queremos sim divulgar no máximo o documentário”.
A sessão do “Cinema@Debate” terminou com a promessa de uma nova exibição do filme, numa das escolas do ensino secundário, para permitir que os alunos assistam por completo o documentário.

Projecto

O projecto, em formato de cine clube, é uma iniciativa da Aprocima, que, em Fevereiro de 2015, realizou a sua primeira sessão na Mediateca de Luanda, com o filme “O Milagre Gerson” (2004), um documentário sobre a cura do cancro através dos alimentos, descoberta pelo médico alemão Max Gerson.
O debate teve a participação de estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto, médicos e familiares de doentes de cancro, além de realizadores de cinema. 
A falta de espaços para projecção de filmes obrigou a uma paralisação do projecto.  Em Maio último, a Aprocima retomou numa parceria com a Cinemateca Nacional e foi exibida “A Crença”, na União dos Escritores Angolanos, uma ficção realizada por Dorivaldo Fernando.
“A Crença” tem o prémio de melhor longa metragem nacional, da quinta edição do Festival Internacional de Cinema de Luanda, em 2012. O seu argumento e a produção são assinados por Michel António e foi seleccionada para “Cinema@Debate” por causa dos efeitos especiais e da problemática em torno de albinos que sofrem discriminação.
Actualmente, o projecto é mensal, numa primeira fase, e visa fomentar um debate em torno da narrativa cinematográfica, tanto de filmes nacionais como de estrangeiros, com a presença do realizador e de outros técnicos e artistas envolvidos na produção do filme.
“Cinema@Debate” é aberto ao público e conta com apoios do Instituto Angolano de Cinema e Audiovisual (IACA) e da União dos Escritores Angolanos.

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