Filme sobre Kimpa Vita

Valter Gomes | Uíge
22 de Abril, 2015

Fotografia: Mavitidi Mulaza | Uíge

Um filme sobre a profetiza Kimpa Vita no reino do Congo, começa a ser gravado nos próximos dias na província do Uíge, afirmou o realizador Manuel Narciso “Tontón”.

O filme começou a ser produzido em 2013 e tem como objectivo mostrar ao público o valor cultural de Kimpa Vita, o seu contributo no resgate e defesa da identidade cultural e religiosa africana, além da resistência demonstrada na defesa do reino do Congo.
Em declarações ao Jornal de Angola, Tontón disse que a película vai ser inteiramente dedicada aos feitos de Kimpa Vita, a mulher, heroína e profetiza popular do reino do Congo.
“O filme vai retratar a vida e obra da profetiza Kimpa Vita (1682-1706) e a importância da cultura africana”, sublinhou. Até agora já foram produzidas algumas cenas do filme que aguarda apenas pelo reforço do patrocínio para a sua conclusão. Segundo o realizador, no filme os actores falam em português e quicongo para facilitar a compreensão do público.
“Os actores vão utilizar roupas semelhantes às que a profetiza e os padres missionários vestiam na época. As cubatas de capim vão ajudar a situar o filme no tempo e no espaço”, explicou.
O projecto orçado em mais de 25 milhões de kwanzas conta com o patrocínio dos Governos Provinciais de Luanda, Uíge e Zaire, além de outras entidades singulares interessadas na promoção da história da heroína.
“Se eu for aprovada no teste vou desempenhar o papel que me for atribuído com muita responsabilidade e sentido de patriotismo” disse a actriz Chantal Odón, de 29 anos.
Daniel Fernando, 26 anos, disse que se apercebeu do casting do filme através de um amigo. “Estou entusiasmado e muito emocionado. Quero participar no filme e ser considerado um bom actor”, acrescentou o jovem actor.
Kimpa Vita é uma figura emblemática. Nasceu em 1682 e cresceu num ambiente de poder absoluto do reino. Defendia os ideais da cultura e religião  africana. Em 1706, a heroína foi condenada à morte e queimada viva com uma criança de três anos às costas, por ordens do Manikongo (D. Pedro IV), que tomou tal decisão sob influência dos missionários capuchinhos, Bernardo de Gallo e Lorenzo de Luca.

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