Berlinale abre as portas com estreias mundiais


7 de Fevereiro, 2015

Fotografia: Divulgação

Os filmes “Cinquenta Tons de Cinza”, adaptação de um “best-seller” da literatura, e “Cinderella”, a nova longa-metragem da Disney, são os grandes destaques do Festival de Cinema de Berlim (Berlinale), que abriu ontem oficialmente as suas portas ao público.

Os dois filmes, actualmente com grande apelo comercial, fazem a sua estreia mundial na abertura da 65ª edição do festival internacional, apesar de ambos não estarem a competir para o prémio principal.
O Leão de Ouro, prémio principal do festival, é mais voltado aos filmes de arte, que estão também em destaque graças a realizadores como Terrence Malick, Peter Greenaway, Wim Wenders e Pablo Larrain. Ao todo, 23 filmes são exibidos na mostra competitiva, dos quais 19 disputam o prémio máximo, que é concedido dia 14 de Fevereiro.
A selecção dos filmes deste ano inclui, disse o director do festival, “a mistura costumeira de anorexia, fanatismo religioso, abuso infantil e tortura”. “É isso que as pessoas vêem hoje nos noticiários. Por isso, escolhemos uma programação mais baseada no debate social e político actual”, disse Dieter Kosslick.
Dentro desta perspectiva, reforçou, é exibido “El Club”, do chileno Larrain, sobre quatro padres caídos em desgraça que vivem num refúgio e têm dificuldades para se adaptar à chegada de um quinto morador, ou “Body”, do polaco Malgorzata Szumowska, que conta a história de um investigador da polícia e pai solteiro que tem de equilibrar as exigências do trabalho e a criação da sua filha anoréxica. Produções como estas, adiantou, provam a lealdade do festival às suas raízes, apesar de inovações de grandes produtoras como a adaptação para o cinema do romance “best-seller” sobre sadomasoquismo, “Cinquenta Tons de Cinzas”, ou a presença de Cate Blanchett como madrasta de Cinderela no filme realizado por Kenneth Branagh.
Dieter Kosslick não se abalou com a insinuação de que o festival está a guardar a exibição de “Cinquenta Tons de Cinza”, baseado na série de livros de E.L. James que vendeu 100 milhões de cópias em todo o mundo. “Éramos loucos ao ignorar esta estreia. Milhões de pessoas querem ver este filme. Vai ser um estoiro, no sentido mais verdadeiro da palavra”, disse o responsável. Da mesma maneira, acrescentou, “Cinderella” não só tem o atractivo das suas estrelas como é bem-vindo com base num precedente histórico, o clássico que conquistou o Leão de Ouro de melhor musical na primeira edição do festival, em 1951.
“Não se pode ter só uma dieta de filmes sobre prostituição infantil, estupro e pobreza, é preciso algo que sacuda isso”, afirmou Jay Weissberg, crítico de cinema da revista “Variety”, sediado em Roma. “‘Cinderella’ vai ser isso? Não faço ideia, mas pelo menos traz algumas estrelas para Berlim e essa é uma parte vital de qualquer festival.”
O Festival Internacional de Cinema de Berlim, também conhecido como Berlinale, é um dos mais importantes da Europa e do mundo, que tem lugar todos os anos em Fevereiro. O festival foi inaugurado em 1951 numa iniciativa dos EUA, que ocupavam parte da cidade depois da Segunda Guerra Mundial. O júri sempre deu ênfase a filmes representativos de todos os lugares do mundo.

Os principais candidatos


Este ano, fora de concurso, são mostrados os últimos filmes da “prata da casa” alemã: “Everything will be fine”, a nova ficção do realizador Wim Wenders, o homenageado em 2015, com James Franco, Charlotte Gainsbourg e Rachel McAdams, e “Elser”, de Oliver Hirschbiegel, autor do filme sobre os últimos dias de Hitler, “A Queda”, que regressa aqui à Segunda Guerra Mundial com uma biografia de um resistente anti-nazi.
Na luta pelo Urso de Ouro vão estar, além de “El Club”, de Larrain, “El Botón de Nacar”, uma trilogia documental sobre a história do Chile, iniciada com o magistral “Nostalgia de la Luz”, da autoria de Guzmán.
Também a concurso vão estar “Aferim!”, a terceira longa-metragem do cineasta romeno Radu Jude, e “Chasuke’s Journey”, do cineasta japonês Sabu, juntando-se aos 14 filmes já anteriormente anunciados.
Todos estes filmes competem com o novo do realizador iraniano Jafar Panahi, “Taxi”, e os novos trabalhos dos veteranos Werner Herzog, “Queen of the Desert”, Terrence Malick, “Knight of Cups”, Benoît Jacquot, “Diário de uma criada de quarto” e Peter Greenaway, com “Eisenstein in Guanajuato”.
As programações das secções paralelas do Festival de Cinema de Berlim, denominadas Fórum e Panorama,  estão também preparadas e este ano têm como destaque “Love & Mercy”, biografia de Brian Wilson dos Beach Boys, com John Cusack e Paul Dano revezando-se no papel do músico, que é a estreia na realização do produtor Bill Pohlad, e “Life”, o novo trabalho do fotógrafo Anton Corbijn, sobre a amizade entre James Dean e o fotógrafo da “Life” Dennis Stock, interpretados pelos actores Dane de Haan e Robert Pattinson.

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