Católicos e judeus contra o Papa Pio XII


6 de Março, 2015

Fotografia: AFP

O filme italiano “Shades of Truth”, que tenta defender o Papa Pio XII contra as acusações de que ignorou o Holocausto, foi criticado pelo Vaticano, assim como por diversos órgãos de comunicação social católicos e judeus.

“Shades of Truth” conta a história de um jornalista norte-americano fictício, que começa como crítico a Pio XII e muda a sua opinião após pesquisas em Israel, Roma e outros lugares da Europa.
Alguns judeus acusaram o Papa Pio XII, que dirigiu a Igreja Católica de 1939 a 1958, de falhar  para chamar atenção para a exterminação de judeus. O Vaticano afirma que o Papa trabalhou activamente nos bastidores para salvar milhares de judeus e não falou publicamente por medo de as suas palavras poderem levar a mais mortes de judeus e cristãos às mãos dos nazis.
Após uma exibição, ontem, perto do Vaticano, o filme, que chama a Pio XII “a pessoa mais incompreendida do século XX”, foi criticado mundialmente.
O jornal do Vaticano “L’Osservatore Romano” disse que o filme, realizado por Liana Marabini, a ser exibido no Festival de Cannes este ano, é “ingénuo”, “sem credibilidade” e uma “tentativa indelicada” de defender o pontífice do período de guerra.
A revista católica italiana “Famiglia Cristiana” disse que o filme vai prejudicar a já frágil reputação de Pio XII. O “Pagine Ebraiche”, jornal online da comunidade judaica de Roma, considerou o filme como “uma novela desajeitada de qualidade duvidosa, repleta de estereótipos”. O jornal também criticou o filme por uma cena na qual o jornalista sonha que vê Pio XII a usar uma estrela de David na sua batina, como o símbolo que os nazis forçavam os judeus a usar.
O filme conta com o actor norte-americano David Wall e inclui participações especiais de Christopher Lambert e Giancarlo Giannini.
No ano passado, o Papa Francisco defendeu o seu antecessor numa entrevista a um jornal espanhol, na qual pediu que Pio XII fosse visto no contexto daquela era. “Os arquivos do Vaticano da época da guerra podem trazer à tona o que Pio XII fez para poder ajudar os judeus italianos”, disse na altura o Papa.
Grupos judeus pediram ao Vaticano para interromper o processo que podia levar Pio XII à santidade até todos os arquivos de guerra serem  abertos a historiadores, dizendo que as relações entre católicos e judeus podiam ser feridas caso o processo continuasse.

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