Cineasta critica Academia de Hollywood


19 de Janeiro, 2015

Fotografia: Divulgação

O produtor e realizador norte-americano George Lucas criticou ontem a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, instituição que organiza a cerimónia do Óscar, por dar prioridade à política em detrimento da arte nas escolhas dos nomeados.

Em entrevista à rádio “CBS”, George Lucas, de 70 anos, e criador de séries de sucesso como “Guerra das Estrelas” e “Indiana Jones”, afirmou que a Academia é um reflexo da comunidade de Hollywood, maioritariamente masculina e branca.
Por isso, destacou, não ficou surpreso com a falta de diversidade racial na polémica lista de nomeados ao Óscar. Pela segunda vez desde 1998, os 20 actores que concorrem a uma das estatuetas são brancos, mesmo com bons filmes, como “Selma”, de Ava Duvernay, sobre o movimento de direitos civis liderado por Martin Luther King.
“Selma” disputa duas estatuetas, de melhor música e melhor filme, mas foi ignorado para os prémios de realização e actor, nos quais os não-brancos Ava DuVernay e David Oyelowo figuravam como candidatos.
George Lucas elogiou o trabalho da dupla e classificou “Selma” como um “filme maravilhoso”. “O que acontece com a Academia é uma campanha política, em nada relacionada com o desempenho artístico”, criticou o cineasta, que revelou não ser membro da instituição.
O criador de “Guerra das Estrelas” destacou que a falta de diversidade em Hollywood é algo “bem conhecido”, que pode ser verificado se as atenções se voltarem para além do discurso oficial. O realizador George Lucas ganhou em 1991 um prémio especial de personalidade, espécie de “Oscar honorário”, concedido pela Academia, algo que considerou como “uma tremenda honra”. O cineasta foi nomeado quatro vezes ao Óscar, mas nunca conquistou um prémio.
Durante a década de 1960, George Lucas estudou cinema na Universidade da Califórnia do Sul, uma das primeiras a ter uma cadeira dedicada a essa temática, onde conheceu Francis Ford Coppola.
Nessa época fez uma série de pequenos filmes, entre os quais, um curta, “THX-1138”, que ia tornar-se mais tarde a sua primeira longa-metragem.
Após fazer a graduação, fundou o estúdio American Zoetrope, em parceria com Francis Ford Coppola, companhia que tinha por objectivo ajudar os realizadores a criar filmes de forma livre, fora do circuito opressivo de Hollywood. A Zoetrope não teve sucesso, mas com o dinheiro obtido nas bilheteiras com os filmes “Loucuras de Verão” e “Guerra nas Estrelas”, George Lucas conseguiu montar a própria companhia, a Lucasfilm, a qual pôs à venda em 2012, num negócio com a empresa Walt Disney, orçado em quatro mil milhões de dólares.
As sub-divisões desta empresa, “Skywalker Sound” e “Industrial Light & Magic”, tornaram-se das mais respeitadas nos seus campos, respectivamente, o de som e o de efeitos especiais. Também a “Lucasfilm Games”, mais tarde rebaptizada de “LucasArts”, é muito bem vista, a nível mundial, na indústria dos jogos de computador.

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