Cinema móvel cria novos cinéfilos e alarga públicos

Francisco Pedro |
24 de Dezembro, 2014

Fotografia: Domingos Cadência

O director do Instituto Angolano de Cinema e Audiovisual (IACA), Pedro Ramalhoso, fez um balanço positivo das acções em prol da promoção e divulgação da “sétima arte” no país, apesar do cancelamento do Festival Internacional de Cinema de Luanda (FIC-Luanda).

“Podemos considerar positivo o balanço das actividades de 2014, porque realizámos o Festival Nacional de Cultura que incluiu sessões de cinema, a­lém disso concluiu-se o filme ‘Os Deuses da Água’, uma produção Angola/Argentina, que recupera pontos culturais comuns entre os dois países”.
Um outro aspecto que levou a considerar positivo o ano de 2014 são as sessões de cinema móvel, que começaram no mês de Agosto, fruto da parceria com a empresa Tondinha e Irmãos, que compra carros equipados com assentos, projector e tela para garantir a exibição dos filmes em qualquer localidade do país.
Designado Cinema Móvel Comunitário, o projecto proporciona  entretenimento e informação às comunidades, no quadro da promoção e divulgação do cinema angolano.
Além disso, as sessões servem também para contribuir para a educação cívica e moral e o resgate de valores, com base nos contéudos.
A programação dos filmes é feita para atender à vertente educativa. “Tentamos sempre exibir filmes de acordo com a comunidade a servir, à semelhança do documentário 'Peregrinação à Mamã Muxima', de NGuxi dos Santos”. Numa primeira fase, o projecto está limitado a Luanda, mas a intenção é alargar a outras províncias, situação que exige o envolvimento dos governos e empresários locais para a compra de outros meios do Cinema Móvel Comunitário. O IACA pretende com o Cinema Móvel alargar a sua área de intervenção a outros sectores como comunidades religiosas, com quem já tiveram contactos para definir as linhas de intervenção, aproveitando a influência da Igreja para disseminar a mensagem positiva de educação cívica e moral junto das comunidades.

Filmes em línguas nacionais
   
A parceria com as denominações religiosas vai parmitir, em 2015, legendar os filmes de realizadores angolanos e estrangeiros, em línguas nacionais, informou o director do IACA Pedro Ramalhoso. “Fomos aconselhados a cuidar da legenda e tradução de alguns filmes para atender às especificidades dos diferentes grupos etno-linguísticos do país, com o recurso a profissionais do Instituto de Línguas Nacionais, e das comunidades religiosas que dominam várias línguas nacionais”, disse Pedro Ramalhoso, considerando que é um grande desafio, com grandes implicações logísticas e financeiras.  Mais dinamismo e intervenção do sector dentro do país e além fronteiras constam das metas do IACA para o Ano Novo. Ainda em 2015, a instituição pretende dar continuidade às acções de formação iniciadas nos finais de 2014, com a realização de um seminário sobre documentários, com a francesa Ariel de Bigault.
Pedro Ramalhoso disse que “pretendemos contribuir para o melhor desempenho dos profissionais do cinema e do audiovisual em termos de apoio às suas produções cinematográficas e contribuir para a sua superação e qualificação profissional”.

Maior divulgação

A criação da Associação Angolana dos Profissionais de Cinema e Audiovisual (A­PROCIMA), em Agosto, na óptica do director do IACA constitui um passo necessário  para servir de interlocutor com o Estado. “Podemos afirmar que vai ser proveitoso o diálogo entre nós e podemos assim delinear acções que venham a servir a sociedade”.
A realização do Encontro Nacional do Cinema e Audiovisual, para discussão, análise e perspectivar o sector é uma questão que o IACA pretende corganizar com a APROCIMA em 2015, além de outras parcerias sobre divulgação dos filmes angolanos em festivais no estrangeiro, assim como intercâmbio e formação com a colaboração de instituições congéneres.

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