Drama sobre aceitação pessoal em filme


16 de Julho, 2014

Fotografia: DR

A produção de um documentário sobre Lizzie Velasquez, uma norte-americana com uma síndrome rara que já foi considerada a “mulher mais feia do mundo”, foi iniciada depois da arrecadação de 215 mil dólares dos admiradores, numa campanha iniciada em Maio.

A realizadora Sara Bordo informou na página oficial do projecto, que já começaram a ser feitas as primeiras filmagens em casa de Lizzie, em Austin, no Texas. O site tem um vídeo em que Lizzie agradece o apoio de todos. “Conseguimos! É um sonho que está a acontecer graças às pessoas que deram dinheiro, por acreditar no meu sonho”, disse.
Lizzie Velasquez tem 25 anos e nasceu com uma síndrome rara que a impede de ganhar peso, registada em apenas duas outras pessoas no mundo. A jovem nunca pesou mais que 30 kg e é cega de um olho.
A jovem explicou que a sua vida mudou aos 17 anos, quando apareceu num dos vídeos do YouTube, intitulado “a mulher mais feia do mundo”. A secção de comentários tinha frases como: “Faça um favor ao mundo e coloque uma arma na sua cabeça”. Na altura, confessou, decidiu fazer palestras para contar a sua história.

“Anti-bullying”

Em Dezembro de 2013, Lizzie Velasquez inspirou milhões de pessoas numa das suas palestras nos EUA. “Eu sei o que é sofrer bullying na vida e na Internet. Quero proteger quem pensa que não vai ficar melhor”, disse em Maio à Associated Press.
“A ideia é que as pessoas vejam o documentário e percebam que, sim, é possível ultrapassar tudo”, disse durante uma entrevista em Austin, Texas, nos EUA. O objectivo da campanha de arrecadação de verbas, feita a partir do site Kickstarter, era obter 180 mil dólares, mas as contribuições ultrapassaram as expectativas. Lizzie tornou-se conhecida no dia 5 de Dezembro de 2013, quando a sua TED Talk (breves discursos destinados a partilhar e difundir ideias) fez sucesso. “Em vez de apenas me esconder nas lágrimas, escolhi ser feliz e entender que esta síndrome não é um problema, mas uma bênção que me permite melhorar e inspirar outras pessoas”, disse.
A jovem, que conseguiu terminar a faculdade, escreveu três livros de auto-ajuda. O terceiro, intitulado “Escolhendo a felicidade”, é publicado em Agosto e já conquistou dezenas de milhares de seguidores no Facebook, Twitter e YouTube.
A sua força, disse, vem dos pais, que sempre a amaram da mesma maneira que aos seus irmãos, Marina e Chris, que não sofrem da síndrome. “Eles são os melhores pais do mundo inteiro”, disse. “A partir do momento em que nasci, eles cobriram-me de amor.”

Prematura


Lizzie Velasquez nasceu de forma prematura, quatro semanas antes do previsto. Os médicos usaram uma foto para mostrar o bebé à mãe pela primeira vez. “Eu comecei a chorar de forma inconsolável, mas pedi-lhes para ma trazerem”, disse Rita Velasquez. “Eu queria muito vê-la, abraçá-la e amá-la”, contou.
O pai conta que a filha percebeu ser diferente no primeiro dia de jardim-de-infância, quando as outras crianças não queriam brincar com ela. “Falámos-lhe sobre a síndrome e, desde então, ela mostrou grandes sinais de maturidade”, contou.
“Lizzie tem tal força interior e senso de humor que qualquer um pode relacionar-se com ela”, disse Sara Bordo, a realizadora. “Todos nós temos dificuldades na vida, mas nada comparado com as que ela teve. A sua atitude positiva eleva o espírito de qualquer pessoa no mundo.”
Actualmente, Lizzie Velasquez diz que não está interessada numa possível cura para a sua síndrome. “Não há nenhuma maneira”, disse. “Se me tivessem feito essa pergunta quando eu tinha 13 anos, provavelmente respondia que sim. Dava tudo, fazia testes, o que fosse. Mas se me perguntar isso agora, depois de ter percorrido um caminho tão longo para aceitar quem sou e pertencer a mim mesma que, se mudasse alguma coisa em mim, deixava de ser a Lizzie, não ia ser fiel a mim mesma”, rematou.

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