Filme sobre o futebol é um fracasso


9 de Julho, 2014

Fotografia: DR

“Paixões Unidas” é o título do filme sobre a história da FIFA, a organização mundial de futebol, realizado pelo francês Frédéric Auburtin e financiado quase inteiramente por aquela instituição, tem sido alvo de várias críticas negativas de especialistas.

O filme, estreado há cerca de 15 dias e lançado no fim-de-semsana directamente em DVD nos videoclubes online em França, está, afirmam os críticos, destinado a ser “uma produção inútil feita para ‘tapar buracos’ nos calendários de estreias ou nas grelhas de programação televisivas".
A parte da história da FIFA ignorada no filme foi recordada agora pela imprensa inglesa, com a qual o presidente da FIFA, Joseph Blatter, tem uma relação conflituosa, devido às investigações jornalísticas sobre corrupção na instituição que voltaram às primeiras páginas dos jornais no início do Mundial e ligadas à atribuição da organização do Campeonato do Mundo de 2022 ao Qatar e às suspeitas de resultados combinados na prova que decorre no Brasil.
Os jornais ingleses não hesitaram em chamar a atenção para os 25 milhões de euros que o filme custou, 20 milhões dos quais oriundos da própria federação.
A verba, recordou a BBC News, equivale à dotação anual do programa de apoio ao futebol que a organização internacional dirige nos países abaixo do limiar da pobreza.  A FIFA, num depoimento enviado à “Bloomberg Business Week", afirma que o apoio à produção do filme “é uma oportunidade única” de elevar a imagem da instituição e divulgar as dificuldades que enfrentou para impor a ideia do Mundial de futebol ao longo dos anos. Os jornais britânicos “Sunday Times", “Daily Mail", “Guardian" e a BBC News noticiaram que o dinheiro pode ter sido investido expressamente a pedido de Joseph Blatter “contra o conselho de colegas e amigos".
“É um puro exercício de propaganda mal disfarçada do papel que o suíço e o seu predecessor, o brasileiro João Havelange, tiveram na transformação do desporto-rei numa máquina de fazer dinheiro", salientaram.
No filme Joseph Blatter é interpretado pelo actor britânico Tim Roth, que contracena com o australiano Sam Neill, que faz o papel de Havelange, e com Gérard Depardieu, que veste o francês Jules Rimet, que esteve 33 anos à frente da organização. Nenhum deles tem “dado a cara” pelo filme.
Ao jornal britânico “Sunday Times", Frédéric Auburtin, que também é o argumentista do filme, juntamente com o escritor e antigo futebolista Jean-Paul Delfino, disse que estava “desde o princípio ciente do equilíbrio delicado imposto pelo envolvimento directo de Joseph Blatter no projecto cinematográfico".
O críticos refere que se a imprensa desportiva não tivesse perdido tempo a questionar o projecto, a imprensa cinematográfica não se tinha sequer interessado por “Paixões Unidas".
“A sua estreia fora de concurso no Festival de Cinema de Cannes foi ignorada, mesmo pelas revistas especializadas 'da indústria' como a ‘Variety’ ou a ‘Hollywood Reporter’. Nessa altura, ‘Paixões Unidas’ começou a ganhar a má reputação", realçaram.
Os críticos recordaram que o comediante John Oliver perguntou no programa televisivo “Last Week Tonight": “como é possível que num filme sobre o futebol, os heróis não são os jogadores, mas os executivos?”.

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