História de Kurt Cobain levada ao cinema


26 de Abril, 2015

Fotografia: Reuters

O documentário “Cobain: Montage of Heck”, de Brett Morgen, sobre o músico norte-americano Kurt Cobain, dos Nirvana, que morreu em 1994, é exibido nas salas de cinema.

Com produção executiva de Frances Bean Cobain, filha do cantor, este é o primeiro documentário sobre Kurt Cobain autorizado pela família e conta a vida do músico com recurso a depoimentos das pessoas próximas e ao arquivo pessoal, nomeadamente diários, pinturas, desenhos e gravações áudio.
“Montage of Heck” é o nome de uma cassete que Kurt Cobain gravou em 1988 com uma colagem de músicas e filmes. Essa gravação faz parte do espólio - com bastante material inédito - que estava à guarda da família de Cobain e que foi disponibilizado ao realizador Brett Morgen para o filme.
Para Brett Morgen, a cassete foi uma espécie de mapa que ajudou a estruturar o filme e a entrar no mundo angustiado e tortuoso de Kurt Cobain, num trabalho de pesquisa que começou a ser feito em 2007.
Estreado no início deste ano no Festival Sundance, nos Estados Unidos, o filme não pretende mitificar a figura de Kurt Cobain na história da cultura popular norte-americana, nem tão pouco contar a história dos Nirvana. “O objectivo era fazer um filme sincero” sobre a vida do músico, afirmou o realizador em entrevista à revista “Esquire”.
“Todos os dias tentava afastar-me do mito e aproximar-me do homem. E, quanto mais me aproximava, mais gostava dele. Senti uma tremenda afinidade com Kurt e espero que isso tenha passado para o público”, disse.
“Montage of Heck” é uma “viagem emocional” pela vida de Kurt Cobain, nascido em Aberdeen, até aos dias em que se viu consumido pelas drogas e pelos pensamentos depreciativos e suicidas.
O filme inclui depoimentos dos pais, da irmã, da ex-namorada e da mulher e do baixista Kris Novoselic, dos Nirvana, e assenta sobretudo em vídeos amadores que registam os primeiros anos de vida, os primeiros ensaios, a vida com Courtney Love e a filha. Há ainda imagens de arquivos de concertos e entrevistas. O realizador incluiu também gravações áudio, com relatos pessoais e intimistas de Kurt Cobain, com ensaios e rascunhos de músicas, até aqui nunca revelados publicamente, e dezenas de desenhos, excertos de diários e cadernos de apontamentos, poemas e letras de canções.
Naquelas gravações pessoais é que se sabe das primeiras tentativas de suicídio de Kurt Cobain, como se sentia socialmente inadaptado e afectado pela separação dos pais. É também nesses registos que se ouve uma versão acústica - inédita - de um tema dos Beatles. No filme, o autor de “Smells like teen spirit” deixa claro que nunca quis ser uma estrela do rock nem porta-voz de uma geração de jovens angustiados, deprimidos ou zangados com o mundo. Hiperactivo e atormentado, Kurt Cobain dizia que nunca tinha procurado a fama, queria apenas fazer música e tinha medo de deixar de ser criativo.
Contado de forma cronológica, “Montage of Heck” termina com Kurt Cobain a cantar, com os Nirvana, num concerto acústico gravado no final de 1993 em Nova Iorque para a MTV.
A gravação acabou por sair em álbum em Novembro de 1994, meses depois da morte de Kurt Cobain.

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