História racial dos EUA volta ao cinema


22 de Novembro, 2014

Fotografia: Divulgação

Depois do Óscar de “12 Anos Escravo”, o cineasta britânico filma agora a história do norte-americano Paul Robeson, um cantor e activista do movimento dos direitos civis que acabou na lista negra dos EUA.

Neste seu quarto filme, que Steve McQueen disse, em conferência de imprensa, nos EUA, deveria suceder a sua longa-metragem de estreia, “Fome”,o cineasta promete continuar a filmar a história racial dos EUA.
O realizador explicou que depois do seu projecto protagonizado por Michael Fassbender sobre Bobby Sands, o membro do IRA que morreu na sequência de uma greve de fome enquanto detido, queria ter-se dedicado à “vida e legado” de Robeson. “Mas não tinha o poder, nem energia.” Agora vai filmar essa história, mas não se conhecem mais pormenores, como o título, prazos ou actores envolvidos.
Steve McQueen contou ainda como se cruzou com a história do afro-americano Paul Robeson e como ela o influenciou. “Paul Robeson formou-se em Direito depois de ter frequentado a Universidade de Rutgers como bolseiro pelo seu desempenho como jogador de futebol americano”, disse.
“Contudo, a advocacia foi barrada por discriminação racial e o seu caminho levou-o aos palcos e ao cinema, sendo também um cantor respeitado. Foi Otelo na Broadway e actuou no Palácio de Buckingham. Recusava desempenhar papéis em salas de espectáculo com públicos segregados e denunciava à Casa Branca, como lembra o ‘Washington Post’, e os linchamentos de negros nos estados do sul dos Estados Unidos”, adiantou.
De facto, acrescenta o cineasta, a sua projecção nos EUA e internacional deveu-se, sobretudo, à sua carreira como activista, ao seu trabalho junto dos sindicatos e à propagação da ideologia anti-imperialista, bem como ao apoio às forças republicanas na Guerra Civil espanhola.
A proximidade com o comunismo e o trabalho de luta pelos direitos civis, adianta, levou o actor à infame lista negra norte-americana, impedindo-o, por exemplo, de ter passaporte americano ou acesso a papéis no cinema. Um recorte de jornal colocado por um vizinho na caixa de correio da família de Steve McQueen concretizou, aos 14 anos, o primeiro encontro do futuro artista e cineasta com a história do ícone americano.
“Era sobre um indivíduo negro que estava no País de Gales e cantava com os mineiros. Tinha na altura 14 anos e não sabia quem era Paul Robeson. Parecia-me estranho aquele americano negro no País de Gales. Depois descobri que aquele homem era um ser humano incrível”, contou na conferência de imprensa dos prémios Hidden Heroes, criados em homenagem aos activistas mortos pelo Ku Klux Klan no Mississípi, em 1964.
O cineasta Steve McQueen filmou “Fome” (2008), “Vergonha” (2011) e “12 Anos Escravo” (2013), tendo recebido em Março o Óscar de melhor filme pela sua visão da luta de um negro capturado para ser escravo nos EUA.
Antes, entre as suas longas-metragens, o cineasta britânico continuou sempre a trabalhar em várias curtas-metragens e numa delas abordou já a figura de Paul Robeson. Em “End Credits”, recorda o jornal “The Guardian”, conhece-se o processo do FBI contra o actor e cantor.
Steve McQueen foi o primeiro realizador negro a receber o Óscar de melhor filme e em 1999 recebeu o Prémio Turner, o mais importante galardão britânico dedicado às artes visuais.

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