Hollywood aposta nas realizadoras


17 de Janeiro, 2016

Fotografia: reuters

A pesquisa anual sobre a igualdade de género atrás das câmaras no maior mercado de cinema mundial, Hollywood, mostrou que em 2015, nove por cento dos filmes mais rentáveis foram liderados por uma realizadora, um aumento de dois por cento em relação a 2014, informou ontem a Celluloid Ceiling do Center for the Study of Women in Television and Film (CSWTF).

O estudo, que traz boas notícias, ainda que tímidas, para as realizadoras de Hollywood, provou que o mesmo aumento se verifica quando se vê a totalidade de mulheres a trabalhar atrás das câmaras (eram 17 por cento em 2014 e agora foram 19 por cento em 2015).
Ainda assim, alertam os responsáveis pelo estudo, pouco mudou. O levantamento da CSWTF, da Universidade de San Diego, coordenado por Martha Lauzen, revela então que se regressou aos números de 1998, quando nove por cento dos 250 filmes mais lucrativos nas bilheteiras norte-americanas foram realizados por uma mulher.
O filme que encima a lista dos títulos realizados por uma mulher com melhores receitas em 2015 é “O Ritmo Perfeito 2”, da actriz e realizadora Elizabeth Banks, o 12º mais rentável do ano no cômputo geral. O relatório analisa também o número de mulheres empregadas atrás das câmaras nestes mesmos filmes e encontrou no ano passado uma melhoria de outros dois por cento: 19 por cento dos profissionais nas áreas de realização, argumento, produção, produção executiva, montagem e fotografia são do sexo feminino, contra os 17 por cento obtidos na pesquisa feita em 2014.
Actualmente a maioria concentra-se na produção e na montagem. Os números mais escassos obtidos na pesquisa estão na realização e na fotografia. Comparando os dados com 1998, destacou o estudo, há menos mulheres argumentistas (só 11 por cento dos 250 filmes de topo tiveram guionistas do sexo feminino), contra um aumento da presença feminina nas restantes áreas.
“É mais provável encontrar mulheres a trabalhar em géneros como a comédia ou o documentário e à medida que se desce na lista das receitas e orçamentos dos filmes encontram-se mais mulheres empregadas”, lê-se no estudo.
Os números, apesar de mostrarem uma ligeira melhoria depois de um ano em que o tema entrou na discussão mais ampla em Hollywood e fora dela, continuam ainda a ser muito fracos, diz Martha Lauzen. “É muito fácil sermos induzidos em erro por poucos casos mais conhecidos”, disse a responsável pelo estudo apontando nomes como o de Kathryn Bigelow, por exemplo, a única mulher com o Óscar de realizadora. “É fácil nomear algumas realizadoras mais conhecidas e depois assumir que tudo está bem e as coisas mudaram. Por isso é tão importante contar os números do emprego das mulheres”, defendeu.
No mês passado, a Associação dos Realizadores Norte-Americanos revelou o seu próprio levantamento (com base em dados de um conjunto de produtoras) em que mostrava que em 2013 e 2014 apenas 6,4 por cento dos filmes empregaram realizadoras.

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