Cultura

"Hope" inaugura ciclo de cinema francês

Francisco Pedro |

A ficção “Hope”, exibida no ciclo de cinema francófono que decorreu entre os dias 16 e 17, no auditório do Centro Cultural Brasil-Angola, em Luanda, espelha mais do que a imigração africana em que jovens arriscam as suas vidas além-mar, à procura de novos destinos na Europa.

Hope e Léonard protagonistas do filme exibido na abertura do ciclo de cinema que decorreu no Centro Cultural Brasil-Angola em Luanda
Fotografia: DR

O filme evidencia também a problemática do tráfico humano, feitiço, droga, prostituição, falsificação de documentos, lavagem de dinheiro, porém, diz a crítica, esconde os factores que propiciam a génese do fenómeno imigração africana.
A narrativa gira em torno do romance entre Hope, uma jovem nigeriana, e o seu namorado Léonard, de nacionalidade camaronesa, que salva Hope da morte no deserto do Saara. Atravessam o Mediterrâneo, mas Léonard morre no barco ao fim da travessia.
Escrito e realizado pelo francês Boris Lojkine, no ano de lançamento, em 2014, o filme teve prémios na Semana da Crítica do Festival de Cannes, recebeu também o Prémio da Crítica no Festival de Hamburg, e o premiado no Festival de Cinema Francófono de Angoulême.
Com a duração de uma hora e 30 minutos, do ponto de vista artístico “Hope” dá mérito à interpretação cinematográfica a cargo de actores africanos. Desde 2014, o filme tem suscitado vários debates quer na Europa, quer na América Latina, a julgar pela sua enredo, fotografia e desempenho dos actores africanos.
O realizador Boris Lojkine ensinou filosofia na Universidade de Aix-en-Provence, antes de fazer documentários inspirados pela sua permanência no Vietname.  Em 2014 concluiu a sua primeira ficção, “Hope”, que traduzido em português significa esperança. Antes, realizou os documentários “Aqueles que permanecem”, em 2001, “O edifício da cooperação”, 2004, e “As almas errantes”, em 2005.
No decorrer do ciclo foram exibidos também “Tapete Vermelho”, do suíço Frédéric Baillif, Kantarama Gahigiri, o documentário “Abd El Kader”, do argelino Salem Brahimi, e “Os Barões”, do belga Nabil Ben Yadir.  “Tapete Vermelho”, exibido sexta-feira, no Centro Cultural Brasil-Angola, é a primeira longa-metragem dos realizadores Frédéric Baillif e Kantarama Gahigiri, que mistura ficção e realidade.
A ficção conta a história de um assistente social que se depara com a dura vida de um grupo de jovens da periferia de Lausanne, que deseja realizar um filme para ser exibido no tapete vermelho do tradicional Festival de Cinema de Cannes.
O roteiro é baseado na história pessoal dos protagonistas, que depois de participarem nas oficinas de improvisação, tornaram-se actores do próprio filme. O interessante da produção é que o filme foi produzido pelas estradas até chegar a Cannes. Trata-se de uma película cuja narrativa revela a relação criada entre o grupo, formado pelo assistente social, a sua estagiária e os garotos. O filme passou no Festival de Solothurn de Cinema, o mais importante festival de cinema da Suíça.
O documentário “Abd El Kader”, do argelino Salem Brahimi, apresenta a vida do emir Abdelkader (1808-1883), as suas lutas, resistência e as bases do Estado argelino moderno que ele fundou no início do século XIX. O filme dá uma visão científica e metodológica dos factos e contém diversos depoimentos de historiadores renomados, bem como convida os espectadores para uma viagem de exploração do património do chefe da resistência popular argelina.
A comédia “Os Barões”, do belga Nabil Ben Yadir, narra as ambições do Barão Hassan, e  desvenda as condições necessárias para que  uma pessoa seja barão. Hassan considera-se o barão mais ambicioso. “O meu sonho é fazer rir. Mas piadista, para o meu pai, não é uma profissão.”
O segundo problema é Malika, a estrela do bairro, de quem o barão se apaixona, é irmã do seu amigo Mounir, que augura que ele permaneça barão para a vida inteira. “Isso não combina com o meu objectivo. Porque para ter sucesso, tenho que deixar o bairro. Mas não se deixa o bairro, escapa-se do bairro”, afirma a personagem que assume a narração.
O director da Alliance Française de Luanda, Paul Barascut, referiu que “Hope” abriu o ciclo por ter sido produzido em vários países, com destaque para o Reino dos Marrocos, além disso, por ter a participação de vários actores africanos.

Programa da Semana

A Semana Francófona congregou outras actividades para valorizar a diversidade da cultura francófona, incluindo conferências, gastronomia e um concerto, ontem, no Palácio de Ferro.

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