''Leviatã'' causa controvérsia na Rússia


19 de Janeiro, 2015

Fotografia: Divulgação

O filme de Andrei Zvyagintsev “Leviatã”, nomeado para o Óscar de melhor filme estrangeiro, é elogiado em todo o mundo, mas divide as opiniões na Rússia, onde alguns consideram uma crítica ao Presidente a Vladimir Putin e ao país.

O filme, que conta a história de um governante corrupto disposto a esmagar quem quer que seja, levou um activista da Igreja ortodoxa russa a pedir a proibição da sua exibição.
Os críticos de Vladimir Putin dizem que a história reflecte a vida do país nos últimos 15 anos. O Ministério da Cultura foi um dos financiadores do filme, mas afirma agora que “Leviatã” prejudica a imagem da Rússia.
“Filmes centrados não somente em críticas às actuais autoridades, mas em cuspir sobre elas, não deviam ser financiados pelos contribuintes”, disse o titular da pasta da Cultura da Rússia, Vladimir Medinsky, questionado se o Ministério apoiava futyuramente filmes semelhantes.
Embora “Leviatã” tenha estreado em meados de 2014, os cinemas na Rússia começam a exibi-lo apenas em Fevereiro e sem a linguagem obscena, em cumprimento das leis do país sobre a profanação.
O filme, em grande parte rodado na vila de Teriberka, nas margens do mar de Barents, extremo norte da Rússia, já conquistou mais de uma dezena de prémios, entre os quais um Globo de Ouro.
Na semana passada foi um dos quatro nomeados para o Óscar de melhor filme estrangeiro.
Os autores afirmam que o filme foi parcialmente inspirado numa história nos Estados Unidos. Muitos compatriotas do realizador dizem que o filme se destina a atingir a Rússia, embora o próprio Zvyaginstsev tenha procurado negar isso.
“Não importa em que cenário o drama se desenrola. A história do embate entre o indivíduo e a autoridade é universal”, disse.
Vladimir Medinsky começou a criticar o filme no ano passado, quando “Leviatã” foi elogiado no Festival de Cannes, dos mais prestigiados em todo o mundo, dizendo que não gostava da excessiva profanação do filme.
O ministro disse ao jornal “Izvestia” que “Leviatã” não tinha personagens positivas.
“A história não se referia especificamente à Rússia. Espero que Andrei Zvyagintsev, um homem muito talentoso, faça um filme, com a assistência do Ministério da Cultura, que não realce apenas a desesperança existencial”, destacou o ministro.

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