Mulheres ainda são em número reduzido


17 de Janeiro, 2015

A desigualdade de género em Hollywood começou a ser debatida mais cedo este ano, pelos especialistas, devido à cerimónia dos Globos de Ouro, na qual ficou provado que apenas sete por cento dos filmes mais rentáveis dos EUA foram realizados por uma mulher.

A cerimónia teve um forte pendor feminista, mas mostrou que, ao contrário do ano passado, onde as produções femininas estiveram em destaque nas grandes distinções do cinema nos EUA, pois os especialistas tiveram de esperar até ao Óscar para ver a tendência, a presença feminina, na realização, decaiu em Hollywood.
O estudo Celluloid Ceiling do Center for the Study of Women in Television and Film (CSWTF), que estuda os limites à ascensão na carreira para as mulheres, foca-se nos trabalhadores por trás das câmaras, mais precisamente as realizadoras, argumentistas, produtoras, montadoras, directoras de fotografia e profissionais de bastidores, que estão e continuam a estar em minoria.
No ano passado, só 17 por cento das pessoas em tais lugares eram mulheres, o que para o CSWTF representa um sinal muito negativo em termos de oportunidades de trabalho e de empregabilidade no feminino no sector cinematográfico e no principal mercado de cinema do mundo. Este ano, destaca o estudo, há apenas um filme realizado por uma mulher entre os favoritos para os Óscares, “Selma”, realizado por Ava Du Vernay, baseado na vida de Martin Luther King, que conquistou um único prémio nos Globos, a melhor canção.
No ano passado, revela o estudo, apenas um filme realizado por uma mulher entrou na lista dos cem mais rentáveis nos EUA, “Invencível”, de Angelina Jolie, sobre a odisseia de Louis Zamperini. O mesmo estudo demonstrou que em 86 anos só uma mulher recebeu o Óscar de melhor realização, Kathryn Bigelow, por “Estado de Guerra”, tal como só uma mulher tem uma Palma de Ouro de Cannes, Jane Campion.
Durante a cerimónia dos Globos, as mulheres do cinema e da TV contra-atacaram e não foi só com a piada de Amy Poehler sobre o humorista Bill Cosby, acusado de violação por 15 mulheres e se nega a comentar o assunto aos jornalistas e ainda brinca sob o mesmo tema nos seus espectáculos.
Tina Fey e Amy Poehler serviram de anfitriãs numa noite em que os temas da igualdade estiveram presentes no discurso de vitória da série “Transparent”, sobre um pai de família que revela ser transgénico.
As actrizes Amy Adams e Maggie Gyllenhaal também destacaram que um facto novo hoje é a riqueza de papéis para mulheres de verdade na televisão e no cinema. “É o que acho revolucionário e evolucionário”, disse a protagonista de “The Honourable Woman”, Maggie Gyllenhaal.
Gina Rodriguez, vencedora de TV por “Jane the Virgin”, evocou a sua ascendência latina, Joanne Froggatt, de “Downton Abbey”, fez da sua a voz das sobreviventes de violação e Lily Tomlin inverteu a ordem dos factores e desfez-se finalmente “daquele estereótipo negativo de que os homens simplesmente não têm piada”. Outras chamadas de atenção foram feitas por actrizes como Cate Blanchett ou Lena Dunham.
O estudo acrescenta também que alguns dados concretos, como os revelados pelos hackers da Sony, mostravam várias disparidades nos ordenados ou ascensão nas carreiras de homens e mulheres da indústria. Por exemplo, em “Golpada Americana”, Jennifer Lawrence e Amy Adams receberam menos do que os seus co-protagonistas Christian Bale, Bradley Cooper e Jeremy Renner, ou em “The Huntsman”, onde Chris Hemsworth recebeu mais dez milhões de dólares do que Charlize Theron. Os dados demonstram ainda que existem mais e melhores argumentos para reforçar as reivindicações femininas.
Porém, todos os números agora revelados mostram que apesar de ter havido uma melhoria do cenário para as mulheres que trabalham atrás da câmara em Hollywood, a mudança não é significativa.
De acordo com um novo estudo anual do CSWTF, da Universidade Estadual de San Diego, dos 250 filmes mais rentáveis nas bilheteiras norte-americanas em 2014, só sete por cento tiveram mulheres realizadoras.
“Não é uma mexida nem numa nem noutra direcção”, disse à Reuters Martha Lauzen, a autora do estudo.
“O género do realizador é incrivelmente importante porque a investigação mostra que está relacionado com a percentagem de personagens femininas que vemos no ecrã.”

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