Opressão feminina analisada no cinema


24 de Agosto, 2014

Fotografia: Reuters

“A Pedra de Paciência”, nomeado para representar o Afeganistão na corrida aos Óscares de melhor filme estrangeiro de 2013, foi bastante elogiado pela crítica por analisar de forma sucinta a questão da opressão feminina.

“A Pedra de Paciência”, de Atiq Rahimi, é para os críticos “uma reflexão sensível sobre a situação política e social naquela região onde se verifica a contínua expulsão de talentos devido ao estado de guerra e ao fundamentalismo”.
Um bom exemplo, referiram alguns, é o próprio realizador e argumentista, radicado em França desde meados dos anos 1980 e que adapta ao cinema o seu premiado romance de 2008, vencedor do Goncourt e traduzido em mais de 30 línguas. Para a versão cinematográfica, Atiq Rahimi teve a parceria do argumentista Jean-Claude Carrière, de “A Bela da Tarde”.
Outro exemplo desta diáspora, afirmaram, está na actriz principal de “A Pedra de Paciência”, a iraniana Golshifteh Farahani, que vive desde 2008 em Paris, após ser acusada de “colaboração com o Ocidente” por integrar o elenco da produção de Hollywood “Rede de Mentiras”, com  DiCaprio.
“Sem perder de vista uma forma e um tom eventualmente poéticos, o enredo materializa uma situação de inconformismo e mesmo confronto da protagonista, uma mulher sem nome, que se vê forçada a tomar conta do marido em coma (Hamid Djavadan)”, referiram críticos.
No filme, o marido bem mais velho do que a mulher, com quem se casou devido a um acordo feito dez anos antes, é um jihadista veterano que acaba por ficar em estado letárgico devido a um disparo numa luta sem conotação política.
Pobre e solitária, refugiada numa casa em ruínas, continuamente bombardeada numa guerra sem fim, a mulher luta como pode para alimentar as duas filhas pequenas e manter vivo o marido.
O farmacêutico recusa-se a fiar-lhe mais medicamentos, mesmo o soro indispensável ao doente.
“O isolamento transforma-a numa falante contumaz. Encorajada pela falta de ausência de protestos por parte do marido, ganha coragem e passa a limpo a sua vida, assim como os seus sentimentos quanto ao casamento, à frieza e à distância dele”, escreveu um dos críticos. Cada dia com mais liberdade, a jovem chega a confissões mais íntimas e mesmo revelações que se o marido pudesse ouvir o fazia reagir de forma violenta.
Outro aspecto que foi salientado pelos críticos é a qualidade do texto, que mostra ao espectador muito sobre a condição feminina nos países árabes, a guerra santa islâmica e o peso dos costumes sociais e religiosos ultraconservadores sobre os anseios pessoais, especialmente das mulheres.
“Duas personagens interferem nesta solidão contínua e proporcionam um contraponto. Uma delas é a tia da jovem (Hassina Burgan), mulher que também teve de romper com a rigidez de uma sociedade que se pretende imutável. Outra é um jovem soldado (Massi Mrowat), que se insinua na rotina da jovem quando esta, para se defender de um ataque, alega ser prostituta – o que, ironicamente, a salva de estupro”, escreveram.

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