Realizador angaria apoio para a criança vulnerável

Kindala Manuel |
23 de Janeiro, 2016

Fotografia: Kindala Manuel |

“Crianças Acusadas de Feitiçaria” é o título do filme de Manuel Narciso “Tonton”, que é apresentado hoje, às 18h30, no auditório da escola Njinga Mbande, em Luanda, com o intuito de angariar bens de primeira necessidade para apoiar as crianças desfavorecidas dos centros de acolhimento da capital.

A entrada para assistir ao filme, que foi o vencedor do Festival Internacional de Cinema de Luanda de 2015, na categoria de documentário, é gratuita, porém, o realizador pede ao público para levar algo para as crianças desfavorecidas, como produtos alimentares e outros não perecíveis, roupas usadas ou material didáctico.
O centro de acolhimento Arnaldo Jance, ou do Padre Horácio, é um dos principais alvos deste projecto filantrópico. “Muitas das crianças que participaram no documentário são deste centro”, explicou Tonton. O filme, disse, tem a duração de 58 minutos e faz um foco especial às injustiças sociais feitas a muitas crianças e que afectam várias famílias angolanas. “É um assunto actual que já teve proporções alarmantes durante anos e chegou mesmo a criar separações em muitos lares.”
O realizador destacou que no filme as personagens relatam os factos vivenciados na primeira pessoa. A produção traz ainda depoimentos dos traumas causados às crianças, assim como uma reconstituição de certas cenas. Para Tonton, o filme foi feito com o intuito de desencorajar as pessoas de acusarem as crianças de feitiçaria. “Como africanos sabemos que o feitiço é uma realidade e a sua prática milenar é considerada até uma religião em alguns países africanos”, salientou.

Homenagem e digressão


A exibição do filme, destacou o realizador, é também uma homenagem ao malogrado director do Instituto Angolano de Cinema e Audiovisual (IACAM), Pedro Ramalhoso, pela sua contribuição no desenvolvimento do cinema nacional.
Antes da exibição, adiantou, são exibidos vídeos com o testemunho de profissionais do cinema sobre Pedro Ramalhoso. A ideia, disse o realizador, é parte de uma iniciativa conjunta de alguns realizadores e a Associação dos Profissionais de Cinema de Angola (APROCIMA).
Tonton informou ainda que o documentário é exibido, em Fevereiro, em Atenas, Grécia, durante a V edição da Mostra de Filmes Africanos. No mês de Maio, adiantou, o filme, assim como “Socorro África”, de Henrique Narciso, são exibidos no Festival Itinerante da Língua Portuguesa, em Portugal, e no Festival Internacional de Cinema da África, Ásia, América Latina e Caraíbas, em Itália. 
O realizador disse que hoje o cinema angolano conseguiu ganhar mais espaço, em especial nos últimos anos, pela projecção internacional, mas ainda precisa de maiores apoios, devido à pouca produção. “O sucesso do cinema angolano passa também pela aposta do sector financeiro, em particular nos festivais de cinema nacionais. Outra preocupação é a falta de educação do público, que ainda não vai às salas de cinema. O intercâmbio entre produtores nacionais e estrangeiros é outro aspecto importante”, defendeu.

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