"Sniper americano" conquista bilheteiras


26 de Janeiro, 2015

Fotografia: Divulgação

O mais recente filme do realizador Clint Eastwood, “Sniper Americano”, sobre o franco-atirador Chris Kyle, bateu recordes nas  bilheteira e semeou o debate e a polémica pelo elevado tom patriótico, que levou os críticos a associá-lo “à propaganda nazi”.

Protagonizado por Bradley Cooper, o filme foi um êxito nas bilheteiras dos EUA até ontem, feriado por ser o Dia de Martin Luther King, ao arrecadar 107,3 milhões de dólares.
Os números, disseram especialistas, representam a melhor estreia da história para um filme não associado a uma série de Hollywood.
A melhor marca anterior correspondia aos 83,8 milhões de dólares arrecadados por “A Paixão de Cristo”, realizado em 2004 por Mel Gibson.
“Sniper Americano” é também a melhor estreia na carreira de Clint Eastwood e a registada este mês ou até mesmo numa história dramática. “Trata-se de um fenómeno cultural. Se me tivessem dito que podíamos alcançar estes números, respondia que estavam malucos. É o primeiro filme sobre um super-herói ‘real’. Funcionou muito bem, desde as cidades mais pequenas às maiores”, disse o chefe de distribuição do estúdio Warner Bros., Dan Fellman.
O sucesso foi ajudado pela empresa de sondagens de audiência CinemaScore, líder no sector, que atribuiu uma nota alta ao filme depois de ouvir as opiniões dos espectadores. Além disso, a Academia de Hollywood nomeou-o para seis categorias na corrida ao Óscar, incluindo as de melhor filme e actor.
O filme superou muito as estimativas que apontavam para uma arrecadação de 45 milhões a 50 milhões de dólares na estreia nos EUA após uma apresentação limitada em Los Angeles, Nova Iorque e Dallas. “Sniper Americano” conta a vida de Chris Kyle, que entre 1999 e 2009 matou pelo menos 150 rebeldes no Iraque como integrante dos Seals, unidade de elite da Marinha norte-americana. Mas a sua missão mais complicada afastou-o de vez da mulher Taya, vivida no cinema por Sienna Miller, e dos dois filhos pequenos, que ficaram em casa enquanto o atirador de elite foi absorvido pela guerra.
Para os especialistas, um dos maiores problemas na escolha deste filme na corrida aos Óscares, que termina em 22 de Fevereiro, é o facto de o projecto não ter conquistado os corações de todos em Hollywood.
“Sniper Americano’ lembra-me um pouco o filme que foi mostrado no terceiro acto de ‘Bastardos Inglórios”, escreveu no Twitter o actor Seth Rogen.
 O filme ao qual o humorista se referia é “Stolz der Nation”, uma obra fictícia de propaganda nazi, onde um franco-atirador alemão assassinava soldados aliados a partir de uma torre. Mais tarde, Seth Rogen recuou e disse ter gostado de “Sniper Americano”, mas que apenas se “lembrava” da cena ao ver o filme, sem querer entrar em comparações.
Quem também se pronunciou foi o polémico cineasta Michael Moore, conhecido pelos documentários “Tiros em Columbine” (2002) e “Fahrenheit 9/11” (2004). “Meu Tio Foi Assassinado por Um Franco-Atirador na Segunda Guerra Mundial. Ensinaram-nos que os franco-atiradores eram covardes, que atiram pelas costas. Não são heróis. E os invasores são piores”, escreveu no Twitter, causando grande polémica.
Horas depois, Michael Moore disse que não se referia à obra de Clint Eastwood, mas à comemoração do Dia de Martin Luther King, que foi assassinado por um franco-atirador.
No seu perfil de Facebook, o cineasta criticou que Clint Eastwood confunda “o Vietname com o Iraque ao contar a história” e faça com que as personagens “chamem aos iraquianos selvagens ao longo do filme”.
O debate chegou até as redes sociais, nas quais se põe em dúvida se Chris Kyle, considerado um “assassino” por alguns, é merecedor de tanta atenção.
O site especializado “TheWrap” informou que consultou, nas últimas horas, o trabalho de alguns académicos, publicados num artigo da revista “The New Republic”, no qual o filme é criticado por ter transformado Chris Kyle num herói.
No texto há ainda frases do atirador de elite retirados do livro “Sniper Americano”, como “os inimigos são selvagens e depreciavelmente maus” e “o meu único arrependimento é não ter matado mais”.

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