Filmes nacionais devem passar na televisão

Manuel Albano |
26 de Maio, 2016

Fotografia: Raúl Booz

A criação de um espaço regular para a exibição de filmes angolanos na Televisão Pública de Angola (TPA) e nos canais privados pode propiciar inúmeras vantagens à promoção cultural e defesa dos bens patrimoniais quer materiais quer imateriais, disse, ontem, o realizador e produtor Óscar Gil.

Em declarações ao Jornal de Angola, a propósito do Dia de África, Óscar Gil e Sérgio de Oliveira, ambos membros da Direcção da Associação Angolana dos Profissionais de Cinema e Audiovisual (APROCIMA) disseram que a criação de um espaço ou programa de exibição de filmes angolanos está relacionada com as políticas proteccionistas a favor dos profissionais da sétima arte, além disso é o cumprimento pelos canais de televisão do seu papel, enquanto meio de divulgação e preservação da cultura nacional.
Óscar Gil, que desempenha o cargo de presidente da Mesa da Assembleia-geral da Associação Angolana dos Profissionais de Cinema e Audiovisuais (APROCIMA), propõe como nome do programa “Ngola Cine”. A qualidade dos filmes, na sua óptica, implica a exploração da História de Angola, em todas as vertentes: cultural, desportiva, política, económica, militar, ambiental e geográfica.
“Considero importante que se valorizem e despertem os valores existentes nos profissionais angolanos. Por isso, propomos mais abertura e que sirva, também, de orientação sobre os conteúdos das obras cinematográficas nacionais, evitando que se prezem apenas à exibição de filmes cujas histórias são as que assistimos nas salas de cinema”.
Óscar Gil referiu   que os audiovisuais, em todo o mundo, constituem uma das primeiras formas de transmissão de conhecimento e valores identitários, bem como veículo de defesa da soberania nacional de um país, “razão pela qual as nossas televisões devem passar os filmes de realizadores angolanos, desde que os mesmos reúnam requisitos técnicos, artísticos e de conteúdo aceitável”.
Membro do júri do Prémio Nacional de Cultural e Arte, do qual se sagrou vencedor da edição 2003, na categoria de Cinema e Audiovisuais, é de opinião que surja também um programa para debate de conteúdos cinematográficos, com a participação de especialistas.
Da sua trajectória consta a produção e realização de filmes, telenovelas e séries cuja aceitação do público e festivais internacionais comprovam a capacidade existente dos profissionais angolanos que “são fortes e persistentes tendo em conta a inexistência de um fundo financeiro de apoio ao cinema e audiovisuais”. Por sua vez, o secretário para formação da APROCIMA, Sérgio de Oliveira, disse que a ideia de se criar um espaço para divulgar filmes angolanos deve constituir motivo de regozijo para as cadeias de televisão.
Comparando os gastos para a produção de filmes nacionais com a compra das produções estrangeiras, Sérgio de Oliveira afirmou que a compra de telenovelas e filmes estrangeiras exigem sempre um maior volume financeiro, ao contrário da aposta em produções nacionais, “as televisões podem até optar em co-produções e só sairão a ganhar optando pela produção nacional”.
Sérgio de Oliveira reconheceu os esforços e dedicação de muitos realizadores da nova geração, embora tenha admitido que muitos deles ainda sem grande qualidade nas suas estruturas e na exploração das técnicas, por isso apelou aos jovens a se filiarem na APROCIMA para obterem mais conhecimentos.

Filmes em debate

Para saudar o 25 de Maio, Dia de África, a Cinemateca Nacional e a APROCIMA exibem o filme “A Crença”, no sábado, às 17 horas, na União dos Escritores Angolanos, seguido de debate. “A Crença” foi realizado por Dorivaldo Fernando, e venceu o Festival Internacional de Cinema de Luanda, em 2012.
Com argumento e produção de Michel António, a longa-metragem “A Crença” é um dos poucos filmes nacionais com recurso aos efeitos especiais, uma temática que vai alargar o debate entre os profissionais e cinéfilos, incluindo uma reflexão sobre cinema africano. Por outro lado, a APROCIMA, disse Sérgio Oliveira, realiza a partir de 4 de Junho o projecto semanal “Cinema em Movimento”, que visa projectar filmes angolanos na Casa da Juventude em Viana e no espaço Millenium, na cidade do Lubango.
“MBaku”, de Óscar Gil, abre o projecto, seguido de “Akwá, o 10”, de Miguel Castelo, dia 11, “Joana do Sambila”,   de Komba Menek, 18 de Junho, “A Coroa”,   de Nando Cruz,  25 de Junho, tendo como intenção divulgar filmes e potencializar financeiramente os realizadores.

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