Cultura

Formação intensiva em “Gestão e produção cultural”

Jomo Fortunato

É necessário empreender um esforço redobrado, para multiplicar os profissionais na área da Gestão e Produção Cultural, para que Angola não seja conhecida apenas pelo passado conflito bélico e pela actual crise financeira, mas pela actual estabilidade social e multiplicidade da sua riqueza cultural, nas mais diversas manifestações. Para que tal desiderato se efective, torna-se necessário abordar e criar projectos, apelando sempre à sua sistematização e respeito pelos padrões universais de Gestão e Produção Cultural.

Dedé Ribeiro trabalha em digressões de artistas brasileiros e na criação de Festivais na Europa
Fotografia: DR

A crescente circulação dos produtos culturais no mundo, acelerada pela dinâmica do advento das modernas tecnologias da esfera comunicacional,  gerou o conceito de “economia criativa”. Actualmente, as organizações e os países ocidentais têm desenvolvido diferentes amplitudes na abordagem do tema. No contexto angolano, entendemos que a noção de “economia criativa” deve incluir a gestão dos produtos e serviços relacionados com a capacidade intelectual e as representações da cultura endógena, daí a importância das acções de formação, num diálogo directo com os desígnios políticos e económicos de Angola, enquanto Estado e Nação independente, com  ideias próprias.
A formação intensiva em “Gestão e Produção Cultural”, organizada pela Alliance Française de Luanda, entre os dias 4 e 8, deste mês, e terá a duração de vinte e cinco horas lectivas. A acção formativa abordará todo o processo de organização de um evento cultural, desde o planeamento até a pós-produção, e uma dos seus principais objectivos é fornecer ferramentas práticas para agentes da área cultural, que queiram organizar espectáculos, mostras e ciclos de conferências.
Entendemos que a angolanidade, na acepção  cultural do termo, não está circunscrita, nem pode ser representada pela efemeridade das paradas inebriantes do consumo acrítico. É imperioso divulgar a generalidade da produção cultural angolana no mundo, sobretudo aquela que, tendo qualidade, está, normalmente, fora dos interesses sensacionalistas de determinados sectores da comunicação social e do sucesso imediato.  
De facto, as actuais dinâmicas culturais angolanas, reclamam a especialização de profissionais no domínio da Gestão Cultural, nas esferas pública, privada e de organizações sociais, com visão crítica, global, estratégica, ética e empreendedora. A especialização capacita o gestor cultural a gerir projectos que se materializam em programas e actividades, desde o planeamento, pesquisa, análise, gestão, implementação e avaliação de programas, projectos, linhas programáticas definidoras de políticas culturais, em todas as fases do processo, que vão desde a criação, produção, distribuição e difusão dos produtos culturais.

Conteúdos
Durante os cinco dias de formação, o curso vai apresentar os seguintes conteúdos programáticos, “Apresentação e Metodologia”, “Empresas de produção”, “Mercado de Trabalho”, “Redes”, “A visão estratégica dentro da Gestão e da Produção Cultural”, “A escolha do produto”, “Corte e colagem de estruturas”, “Tipos de projecto”, “Alternativas de financiamento”, “Orçamentos e plano de comunicação”, “Projectos para venda”, ou seja, como formatar e apresentar, “Captação de recursos”, “Construção do check-list, “Produção executiva”, “Assessoria de imprensa”,  “Conteúdo e forma de envio de material de imprensa”, “Mailings e ferramentas de trabalho”, “Entrevistas”, “Clipagem”, “Valoração de clipping”, “Redes sociais”, “Direitos autorais”, “Contratos”, “Borderaux”, “Relatórios finais”  e “Pós-Produção”. Com um número limitado de vagas, a formação será gratuita e as aulas vão das 16h00 às 21h00,  de Terça-feira a Sexta-feira,  e das 8h00 às 16h00 , no Sábado.

Marca
No mundo actual dos negócios, e mesmo do esforço dos Estados na optimização do relacionamento político e diplomático entre os países, a marca, entendida como instância cultural intermédia, entre quem oferece uma proposta e a entidade que a recebe, constitui um sinal, na acepção semiótica do termo, que pode influenciar, positivamente, o processo de circulação mercadológica dos produtos culturais e melhorar o prestígio de Angola no mundo das ideias criativas.
A magnitude simbólica da cultura nas suas mais diversas manifestações, literatura, música, artes plásticas, dança, artesanato, escultura, cinema e teatro, pode ajudar a compreender a personalidade cultural de Angola e melhorar a sua imagem, enquanto país em reconstrução, perante um mundo em constante mudança, daí a necessidade do entendimento científico da Gestão e Produção Cultural.
Um dos objectivos, dentre outros não menores, da necessidade de associação da marca cultural angolana no sistema mercadológico mundial, é divulgar e prestigiar o nome de Angola, enquanto marca, atitude que pode ser suportada pelo recurso a uma programação cultural ambiciosa, recheada e inovadora. Daí que seja necessário definir e dar a conhecer os limites diferenciais da cultura angolana, o que implica um conhecimento exacto da peculiaridade das propostas artísticas. As marcas culturais identificam, substituem o que representam.  No seu sentido lato a nacionalidade e o indivíduo, inseridos num sócio sistema concreto, definem uma marca cultural.
Formadora 
Dedé Ribeiro é produtora, jornalista e dramaturga, com uma pós-graduação em Produção Cultural pela Universidade de Paris I, Sorbonne, França, e possui um Mestrado em Artes Visuais na UFRGS, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil.
Desde 1977, actua como produtora cultural, tendo-se responsabilizado por concertos e discos de Nei Lisboa, Nelson Coelho de Castro, Arthur de Faria e Quartchêto, entre outros cantores e compositores. Foi produtora da Unisinos, Directora da Usina do Gasómetro e Coordenadora Geral do Santander Cultural, igualmente no Brasil. De 2003 a 2007 foi coordenadora de comunicação da Rede Metodista de Educação IPA, onde foi a responsável pela criação do curso de Música.
Dedé Ribeiro foi ainda Directora de produção da programação cultural oficial do III Fórum Social Mundial, trabalha em digressões de artistas brasileiros e na criação de Festivais na Europa, sobretudo em  França, Áustria, Portugal e Suíça. Professora de produção e divulgação desde 1988, lecciona cursos privados em várias instituições brasileiras e internacionais. Criadora e sócia da Liga de Produção Cultural, Brasil, dedica-se, actualmente, à área de formação, com os cursos técnicos ministrados no Centro Histórico-Cultural da Santa Casa, palestras, seminários e também à consultoria personalizada  de artistas e produtores culturais.

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