Fotógrafo francês expõe no Camões

Mário Cohen |
27 de Fevereiro, 2016

Fotografia: Paulino Damião

Um conjunto de 22 painéis de fotojornalismo que espelham as vidas de várias mulheres de diferentes países do mundo, da autoria do fotógrafo francês Pierre Ginet, fazem parte da exposição que está aberta até ao dia 9 de Março, no Centro Cultural Português, em Luanda.

A exposição destaca uma imagem do genocídio na Argélia em 1990 que provocou 200 mil mortes e 150 mil desaparecidos, vítimas do terrorismo que assolou aquele país.
O fim dos 27 anos de guerra no país, o sacrifício das mulheres em Darfur e as viúvas e órfãos do genocídio no Ruanda também são retratados na exposição.
Patentes estão ainda fotos que mostram a violência sexual contra as mulheres da região do Kivu, na República Democrática do Congo, e outras que retratam factos de países como Marrocos, Sudão, Peru, Argentina, Haiti, Camboja, Afeganistão, Palestina, Israel, Turquia, Kosovo e Alemanha. 
A directora do Centro Cultural Português disse que a exposição, além de estar associada às festividades dos 20 anos do Instituto Camões em Angola, é uma homenagem a todas as mulheres do mundo, antecipando o programa do Março Mulher naquele espaço cultural.
A mostra, explicou Teresa Afonso, tem imagens poderosas como as de mulheres que viram partir e morrer na guerra os seus filhos, irmãos e companheiros, assim como de mulheres de luto carregado que não tiveram tempo para chorar porque tinham de ganhar o pão para sobreviver.
Teresa Afonso aproveitou a ocasião para expressar uma palavra de coragem à mulher angolana como prova da sua resistência, pois como sublinhou, carrega no seu rosto o amor de mãe e a esperança de um dia melhor. Para o fotógrafo francês, as mulheres representam mais da metade da humanidade, mas muitas delas ainda hoje permanecem afastadas das vidas económica, política e social nos seus próprios países. Elas são mais vulneráveis à pobreza, à ausência de educação, às guerras e às epidemias.
A exposição foi concebida em colaboração com o Centro de História da Resistência e Deportação de Lyon. Os seus primeiros trabalhos foram desenvolvidos no Tibete e em 2000 alargou o seu campo de acção a todo o mundo, desenvolvendo o tema das mulheres anónimas que contribuem para escrever a História contemporânea.

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