Cultura

Fotógrafo Sabelo Mlangeni expõe no Memorial

Jomo Fortunato

Sabelo Mlangeni falou dos contornos motivacionais da sua exposição, denominada “Mulheres Invisíveis”, 2006, nos termos que seguem, “Parte da visão da África do Sul para o futuro é a luta pela igualdade do género, guiada por uma visão de direitos humanos que incorpora a aceitação de direitos iguais e inalienáveis entre todas as mulheres e homens, varrendo uma história em que a dignidade dos indivíduos era predicada não apenas por linhas mas também dentro de vários grupos raciais, por género.

Artista sul-africano retrata a força e a resistência das mulheres
Fotografia: Edições Novembro

Isso criou fronteiras distintas onde as mulheres, dificilmente, liderariam a tomada de decisões e ficariam confinadas às áreas rurais, subservientes e subjugadas”.
De facto, a exposição procura não só retratar a força e a resistência das mulheres sul-africanas, cujo trabalho é limpar, diariamente, o lixo do comércio e restos dos vários negócios no centro de Joanesburgo mas também mostrar que as fronteiras sociais podem ser eliminadas, dando-lhes independência, acesso às necessidades básicas e capacitação económica, apesar de fazerem um trabalho que a maioria considera humilhante. Na verdade, torna-se necessário abrir as possibilidades para que essas mulheres tenham acesso ao poder político, com leis que salvaguardem, com voz igual, o seu futuro e dos  seus filhos,  sem que hajam leis e costumes repressivos que os restringem. 
Sabe-se que a pobreza é há muito tempo, “um grande problema para as mulheres sul-africanas. No passado, sob as leis do “apartheid”, elas foram “banidas” e circunscritas às  áreas rurais, onde as infra-estruturas básicas eram quase inexistentes. A isso, juntaram-se  com os costumes e tradições repressivas, davam-lhes pouca esperança no futuro”, conclui Sabelo Mlangeni.
No entanto, na “nova” África do Sul as mulheres lutam pela igualdade do género, contra a subserviência e dependência dos homens que “governaram” as suas vidas no domínio económico e empresarial, baseando-se numa supremacia com origens nas tradições sócio-culturais. Embora tenha havido algum sucesso na busca de metas igualitárias, no âmbito das políticas governamentais de acesso aos negócios e na indústria, há ainda um longo caminho a percorrer até que as mulheres sejam beneficiadas de forma igual na sociedade.
Sabelo Mlangeni nasceu em 1980 em Driefontein perto de Wakkerstroom em Mpumalanga, África do Sul. Mudou-se para Joanesburgo, em 2001, onde se juntou ao “Workshop de Fotografia de Mercado”, graduando-se em 2004, tendo arrebatado o “Prémio Tollman de Artes Visuais”,  em 2009.

Curador
Segundo Dominick Tanner, produtor e curador da exposição, “Há sete anos que a “Vidrul-vidreira de Angola, Lda” apoia a fotografia experimental de forma discreta mas sólida. Como tal, a “Vidrul” posiciona-se como um modelo a seguir pelo mundo corporativo nacional. “Vidrul convida” é uma sequência natural e um complemento à plataforma “Vidrul fotografia”. Aproveito a oportunidade para agradecer por parte da AM-ARTE pela parceria real desenvolvida que tem a responsabilidade anual de convidar e expor o trabalho de um fotógrafo Pan-Africano. Existe, fundamentalmente, a necessidade de mais colaboração entre artistas e instituições do continente, ou seja, resgatando e renovando o que é de África. Acreditamos, fortemente, que, para sermos convidados, temos primeiro que convidar. Endereço um convite para que visitem e apoiem, no MAAN, a 3ª Edição do “Vidrul convida”.

Colectivas 
Sabelo Mlangeni participou em várias exposições colectivas e individuais ao longo da sua  carreira, das quais destacamos as mais importantes,  9ª Reencontros de Bamako, fotografia africana, Bienal do Mali, Festival de Fotografia de Lagos, Nigéria, “Apartheid and Appropriated Lands capes”, Colecção Walther, Ulm, Alemanha, “Figures and Fictions: Contemporary South African Photography”, Museu V & A, Londres, Reino Unido, em 2011, “The UnexpectedGuest”, Exposição da Bienal de Liverpool, Reino Unido, “The Loom of the Land”, Stevenson, Joanesburgo, África do Sul, 2012, e “Group  Exhibition: My Joburg”, La Maison Rouge, 12 e, França, em 2013. No ano seguinte participou nas exposições, “Public Intimacy: Artand Other Ordinary Acts in South Africa”, Centro de Artes Yerba Buena, San Francisco, EUA, “Apartheid and After”, Huis Marseille, Museu da Fotografia, Amsterdão, Holanda e “Distance and  Desire: Encounters  withthe African Archive”, ColeçãoWalther, Ulm, na Alemanha. Em 2015, “Aprés Eden: The  Walther  Collection”, La Maison Rouge, França,  “On  Fire: Noções de Comunidade na África do Sul pós-Apartheid”, Grimmuseum, Berlim, Alemanha e “RiseandFall of Apartheid: Photography and the Bureaucracy of Everyday Life”, Museu África, Joanesburgo, África do Sul. Em 2016, “Making Africa: A Continent Of Contemporary Design”, Kunsthal Rotterdão, Holanda. “Sex”, Stevenson, Joanesburgo, África do Sul, “Making África: A Continent Of Contemporary Design”, CCCB, Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona, Barcelona, Espanha. “Deconstructed Spaces, Surveyed Memories”, Addis Fine Art, Addis Abeba, Etiópia. “Making Africa: A Continent Of Contemporary Design”, The High Museum of Art, Atlanta, EUA, em 2017.
 Mais recentemente, ou seja, em 2018, participou na “Tell Freedom”, 15 Artistas Sul-africanos, KunsthalKAdE, Amersfoort, Holanda e “Making Africa: A Continent Of Contemporary Design”, The  Museum  of  Albuquerque, Albuquerque, EUA.

Programação
Para além da multiplicidade temática de exposições, foram realizadas, no âmbito da programação cultural semestral do MAAN, de Janeiro a Junho, uma semana de circo francês, um ciclo de documentários sobre Agostinho Neto e várias palestras. No entanto,  destacámos o concerto “Sandra Cordeiro canta poemas de Agostinho Neto”, realizado no dia 8 de Março, a Conferência e Exposição Documental, denominada “Lúcio Lara, Trajectória de um Combatente”, onde parte substancial do espólio de Lúcio Rodrigo Leite Barreto de Lara, 1929-2016, conhecido por, Tchiweka, seu nome de guerra,  membro fundador do MPLA, está disponível até 31 de  Maio, um projecto conjunto entre o MAAN e a ATD, Associação Tchiweka de Documentação. Outro destaque foi a realização da “Feira da poesia angolana”, que incluiu concertos de poesia cantada, recitais e debates, certame de singular importância literária, onde a poesia angolana esteve disponível através da sua história com as suas mais importantes publicações. O último destaque foi a inauguração da tertúlia, “Textualidades”, onde os escritores conversam com os leitores e expõem os  livros. O projecto “Textualidades” teve a participação dos poetas Bendinho Freitas, Lopito Feijoó, João Tala, João Maimona e Amélia Dalomba, que vai encerrar no dia 29 de Junho.

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