França limita os cachets das estrelas


10 de Dezembro, 2014

Fotografia: Divulgação

O órgão governamental francês que regulamenta as ajudas públicas ao cinema aprovou uma reforma do sistema de financiamento que penaliza os filmes que concedam salários considerados abusivos aos actores.

Dentro desta norma, actores como Marion Cotillard, Audrey Tautou, Vincent Cassel ou Léa Seydoux têm de baixar os cachets que cobram sob pena de os filmes em que participam serem penalizados pelo sistema de subvenção pública.
A “notícia do dia” em França, um “furo” jornalístico do diário económico “Les Echos”, citado depois pelo “Libération” e já reproduzido pela imprensa internacional: “a França vai limitar os cachets das suas estrelas de cinema, considerados desmedidos”.
Em 2012, o produtor e distribuidor Vincent Maraval, que distribui e produziu “Cidade de Deus”, “O Wrestler”, “A vida de Adèle” e “Welcome to New York”, fez uma reclamação contra os filmes franceses com verbas impressionantes que “espatifam” nas bilheteiras.
Vincent Maraval fez na altura uma espécie de lista negra, enumerando Cotillard, Tautou, Cassel ou Seydoux, como artistas que precisavam de mudar o seu pensamento, pois cobravam “entre 500 mil e dois milhões de euros” por cada papel de protagonista.
O produtor pediu ainda, na altura, para as autoridades francesas reformarem o sistema de financiamento. “Por que é que um actor francês conhecido, chamando-se Vincent Cassel, Jean Reno, Marion Cotillard, Gad Elmaleh, Guillaume Canet, Audrey Tautou ou Léa Seydoux cobra por um filme francês um cachet que vai dos 500.000 aos dois milhões de euros, mas quando roda um filme norte-americano contenta-se com valores de 50.000 a 200.000 euros?”. O texto teve o mesmo efeito de uma bomba atómica. Agora, destaca o jornal “Les Echos”, o Centro Nacional de Cinema (CNC), o órgão governamental que regulamenta as ajudas públicas ao cinema, decidiu liderar a questão, e acaba de aprovar a reforma do sistema de financiamento que penaliza os filmes que concedam salários considerados abusivos aos actores.
O CNC ainda não anunciou oficialmente a medida, mas segundo “Les Echos” os filmes com custo inferior a quatro milhões de euros não podem conceder aos protagonistas um salário superior a 15 por cento do orçamento global. Em caso de incumprimento, o filme deixa de receber o apoio público. Para os filmes com um orçamento entre quatro e sete milhões de euros, a percentagem não pode ser superior a oito por cento. Até aos dez milhões de euros a nova regulamentação fixa um limite de cinco por cento, mas para além desse valor orçamental um cachet só pode chegar aos 990 mil euros.
Um estudo encarregado pelo Ministério da Cultura francês ao produtor René Bonnell, de acordo com o diário “El Pais”, confirmou em Janeiro a existência de filmes “com um custo artístico desproporcionado”.
O orçamento para a contratação de protagonistas tinha passado dos 49 milhões de euros em 2011 para os 63 milhões alcançados em 2012, como aconteceu com o cómico Dany Boon, que cobrou seis milhões de euros como realizador, argumentista e actor de um filme, ou seja, 20 por cento do orçamento total.
Dados do jornal “Le Figaro” em 2013 destacam que Dany Boon era o actor mais bem pago do cinema francês, numa lista em que figuravam nomes como Gérard Depardieu, Gad Elmaleh, Alain Chabat e Marion Cotillard, todos eles com mais de dois milhões de euros por filme.

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