Frida Kahlo parou de pintar há seis décadas


17 de Julho, 2014

Fotografia: DR |

Completou-se no domingo 60 anos da morte da pintora mexicana Frida Kahlo, uma mulher forte que rompeu os estereótipos da sua época e cuja obra tem valores próprios e eternos, que vão para lá da actual comercialização da sua figura.

A filha do fotógrafo alemão Guillermo Kahlo e da mexicana Matilde Calderón morreu a 13 de Julho de 1954 e certamente que jamais imaginou que seis décadas depois o seu rosto ia estar gravado em malas, blusas, quadros e cartazes vendidos em todo o mundo.
Antes do dia em que o seu corpo, destroçado por dezenas de operações em consequência de uma poliomielite e de um acidente de autocarro, não resistiu mais, provavelmente ela jamais pensou que ia transformar-se num dos ícones comerciais do México, símbolo de um consumismo capitalista, quando ela era um porta-bandeira do comunismo.
“Fala-se de uma ‘fridomania’ que chega a irritar quem não quer saber dela. Faz as pessoas afastarem-se”, comentou à Agencia Efe a professora Gilda Cárdenas, especialista em História da Arte e grande conhecedora da obra da pintora, nascida a 6 de Julho de 1907.
Após uma carreira inicialmente impulsionada pela fama do marido, o muralista Diego Rivera, anos depois a artista tornou-se um dos grandes nomes da pintura mexicana, grande expoente do surrealismo e também num ícone da “mexicanidade”, da liberdade sexual e do feminismo.
Tudo isso foi capitalizado por inúmeras marcas comerciais, que usam a sua imagem até não poder mais, para reivindicar um México pré-hispânico cheio de cores e escamoteando o facto de ela também simbolizar o sofrimento.
Na opinião da professora, a moda é algo passageiro, enquanto a sua obra tem valores próprios e eternos, um pensamento partilhado pela directora do Museu Frida Kahlo Casa Azul, Hilda Trujillo.
“Uma coisa é este fenómeno, a comercialização, que pode ser conjuntural, e outro é a transcendência da artista enquanto tal. Não é um produto passageiro ou inventado, mas sim uma artista reconhecida”, salientou a directora, que acredita que uma parte da família de Frida (descendentes da sua irmã mais nova, Cristina) “a comercializou em excesso e com mau gosto”.
“Espero que este excesso de comercialização seja uma moda e passe em breve, mas a qualidade da artista vai ficar aí para sempre”, afirmou.
A Casa Azul do bairro de Coyoacán, onde Frida nasceu e viveu grande parte da sua vida, está a lembrar as seis décadas de ausência da pintora com iniciativas que mostram aos visitantes a música de que ela gostava (marimba) e a oferecer tequila, água fresca e doces mexicanos. O museu também vai restaurar de três salas da Casa Azul, que pertence a um fideicomisso (bem deixado a um sucessor ou herdeiro), já que quando Rivera morreu a doou ao povo do México.
Nela está a maior parte dos documentos que serviram para construir o quebra-cabeças da vida da artista (mais de 22 mil), que já estão abertos e classificados, embora ainda tenham de ser investigados com profundidade, explicou Hilda.
“Frida Kahlo é uma obra de arte em si mesma porque se dedicou a transformar um corpo quebrado em arte”, já que ela e a sua condição foram as protagonistas da sua obra, destacou a directora.

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