Fundação divulga agenda da Trienal

Jomo Fortunato |
15 de Agosto, 2016

Fotografia: Domingos Cadência

A Direcção da III Trienal de Luanda, projecto cultural da Fundação Sindika Dokolo que decorre sob o signo “Da utopia à realidade”, reuniu a comunicação social em conferência de imprensa realizada no Palácio de Ferro, no dia 12 de Agosto, ocasião em que foram enunciados novos projectos, e apresentado o balanço da acção desenvolvida ao longo de nove meses de produção cultural.

A Direcção da Fundação Sindika Dokolo esteve representada na mesa de honra pelo artista plástico Fernando Alvim,vice-presidente, arquitecta Marita Silva, Directora Geral, Cláudia Veiga,Responsável dos Projectos, e João Vigário, produtor executivo.
Marita Silva, a primeira oradora, apresentou a história das principais acções da Fundação Sindika Dokolo desde a I Trienal de Luanda que decorreu de 2005 a 2007, sob o signo “Arte, Cultura, História e Política Contemporânea”, da  II Trienal  de Luanda, que aconteceu de 2007 a 210, cujo lema foi “Geografias emocionais, artes e afectos” e a III Trienal de Luanda que ainda decorre sob o lema “Da utopia à realidade”, e “Da escravatura ao fim do apartheid”, projecto de grande  magnitude cultural que teve o seu início no dia 1 de Novembro de 2015 e vai até 30 de Novembro de 2016.  
Ao longo da sua exposição, Marita Silva considerou a Trienal de Luanda um espaço de “partilha de conhecimentos” baseada em “mecanismos orgânicos de produção cultural”, parafraseando Fernando Alvim, tendo traçado a trajectória e o movimento cultural que deu origem à Fundação Sindika Dokolo e os projectos de impacto cultural ao longo da sua existência, com destaque para o Pavilhão de Angola na 52ª Bienal de Veneza, em 2007, certame que reuniu cerca de trinta artistas africanos, no âmbito do projecto “Checklist, Luanda pop”, que teve como curadores o artista plástico Fernando Alvim e o crítico Simon Njami.
Por sua vez João Vigário, responsável pela produção executiva, fez o balanço de 269 dias de acção cultural, perfazendo 40 semanas de um total de 856 eventos realizados e de 1.127 artistas convidados, no período de 1 de Novembro a 31 de Julho de 2016, com um público de 47.484 pessoas. Por último, Fernando Alvim encerrou a conferência de imprensa com a apresentação dos princípios organizacionais e artísticos do Festival “Zuá”. 

Festival

O Festival “Zuá” é um projecto de periodicidade anual que pretende  valorizar a Música Popular Angolana, a Massemba e a  generalidade das vertentes da música tradicional, e vai juntar cantores, compositores, intérpretes  e bandas musicais de diferentes gerações.
A palavra “Zuá”, que em kikongo e quimbundo encerra a ideia do som e da sua recepção, foi criada, em 2008, para a designação de uma revista cultural da Fundação Sindika Dokolo.
No âmbito da III Trienal de Luanda, Fernando Alvim, o seu conceptor, reutilizou o nome para denominar o Festival “Zuá” que decorrerá de 24 a 28 de Agosto de 2016, com a apresentação de 40 bandas musicais. Estão confirmadas 36 bandas, que se irão desdobrar em 8 horas de concertos por dia, nos palcos Bengo, Kwanza, Axiluanda e Ngola, do Palácio de Ferro, em concertos que vão das 16h00 às 00h00. À margem do Festival será então editada a Revista “Zuá”, com uma breve biografia dos artistas e bandas musicais intervenientes.

Porto

Para além de Niterói no Brasil, a Fundação Sindika Dokolo teve uma presença de grande magnitude artística e organizacional na  VII Bienal de São Tomé e Príncipe, em Dezembro de 2013, e no Porto, cidade que vai acolher a sede da Fundação Sindika Dokolo na Europa.
Foi na cidade do Porto que Angola e o impacto internacional das suas artes plásticas foram prestigiadas, em Março de 2015, com a  atribuição da Medalha de Mérito, Grau de Ouro, ao patrono da Fundação Sindika Doloko, um dos mais importantes e conceituados coleccionadores de arte contemporânea africana e do mundo, galardão que foi atribuído pela Câmara da cidade do Porto, uma proposta do seu presidente, Rui Moreira, motivada pela  “generosidade” do coleccionador.
Todas as acções culturais realizadas fora de Angola, são realizadas no âmbito do projecto “Ressonância magnética”, extensão internacional da III Trienal de Luanda, que acolheu na Casa da Música do Porto os concertos do conjunto Kiezos e Banda Next, no dia 16 de Julho de 2016, numa programação que incluiu a exibição da peça teatral “Laços de Sangue”, representada pelos actores Meirinho Mendes e Raúl Rosário, e um debate cultural transmitido pela Rádio MFM.
 Uma mostra representativa da cultura angolana, que decorreu de 18 de Junho a 17 de Julho de 2016, levou à cidade do Porto o cantor e compositor Jorge Rosa, que interpretou clássicos de Sofia Rosa e Ilda Rosa, João Oliveira, pianista e autor do projecto “Kutonoka”, grupo Kituxe, que representou a música tradicional angolana, e o cantor Ndaka Yo Wiñi, a mais jovem presença no domínio da nova vaga do afrojazz.

Trienal


A III Trienal de Luanda, que arrancou no dia 1 de Novembro de 2015, e vai até 30 de Novembro de 2016, está dividida em artes visuais, com exposições de arte clássica e contemporânea, comunicação que prevê a edição de jornais, revistas, catálogos, edições e reedições de títulos bibliográficos fundamentais para a compreensão da história literária e cultural angolana, programas de rádio e televisão, fóruns, que inclui um extenso ciclo de conferências, sessões de teatro, concertos, e programas de educação, que prevêem visitas de estudantes de diferentes níveis de ensino, nos espaços da III Trienal de Luanda. Por sua vez, a programação de concertos da III Trienal de Luanda, que vai encerrar com grande Festival “Zuá”, pretende enaltecer a qualidade artística dos cantores, compositores e instrumentistas angolanos, valorizando, maioritariamente, um segmento musical reflexivo e experimental, que, normalmente, está distante do grande sucesso comercial da música de consumo imediato.

Filosofia

A Trienal de Luanda longe de ser algo conclusivo e acabado é também uma experiência e um termómetro da sociedade política angolana, onde os objectos marginais e as ideias, supostamente periféricas, são elevadas à categoria de arte, num processo de leitura do passado histórico mais recente de Angola.  Do tradicional à arte multimédia a Trienal de Luanda é um exercício que se  contrapõe à violência, respeita a diferença, redimensiona e  valoriza o outro, enquanto sujeito artístico de acção, e resgata, pelas artes visuais e plásticas, os universos da nossa memória restante.  Hodiernamente, numa altura em que Angola caminha para reconstrução material, mental e plástica, só unidos os artistas poderão colaborar no actual processo histórico e artístico, cuja velocidade poderá ultrapassar os que, por crónica distracção, pessoalizam aquilo que, naturalmente, a sociedade comunga e partilha, ou seja, a arte, a cultura e as ideias.

Comunicação

O projecto “Arte e história, arquivos culturais” da III Trienal de Luanda está inserido no segmento “Comunicação e conhecimento”, e consiste na realização e produção de entrevistas em vídeo e áudio, de 60, 30 e 15 minutos com o objectivo de constituir uma base de dados do pensamento contemporâneo angolano e africano. Estes arquivos servirão de base para os conteúdos dos projectos de comunicação da III Trienal de Luanda.No âmbito do projecto “Arte e história, arquivos culturais” já foram entrevistados cerca de quarenta artistas, muitos dos quais exibiram os seus projectos na III Trienal de Luanda.

Fundação

A Fundação Sindika Dokolo  realizou, ao longo da sua existência, um total de mais de 1. 356 eventos, concretizados em exposições de artes visuais, eventos de artes cénicas, conferências, concertos, exibição de peças de teatro, dança, moda, performance,  cinema, projectos de literatura, residências artísticas, e programas de visitas escolares.Os projectos desenvolvidos pela Fundação Sindika Dokolo, visam dar maior visibilidade à produção artística africana na Europa, e no mundo.  Alargar o espectro do diálogo cultural, auscultar as várias sensibilidades da sociedade angolana, na perspectiva de promover o intercâmbio de experiências e iniciativas já implementadas, a favor da diversidade de expressões culturais, são questões que estão na base dos projectos culturais que a Fundação Sindika Dokolo tem desenvolvido.

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