Funeral é em Portugal


14 de Julho, 2015

Fotografia: Paulino Damião

O artista plástico angolano José ZAN Andrade, falecido na sexta-feira em Lisboa vítima de cancro, é enterrado amanhã com o cortejo fúnebre a sair da Igreja do Centro de Dia de Oeiras, arredores da capital portuguesa, para o cemitério local.

ZAN morreu no Hospital de São Francisco Xavier pouco dias após ter sido operado ao estômago.
Vários críticos salientaram que a morte de ZAN é uma perda para as artes em geral, pois antes de começar a pintar o mundo em telas já o coloria com o som, a alegria, a raiva, a ener-gia, solos de sax ou clarinete, na banda de rock “Os Electrónicos”, numa Luanda em mudanças, na década de 1960.
O artista, que residia há alguns anos em Portugal, mas tencionava voltar definitivamente a Angola, expôs pela última vez em Abril, em Luanda. A mostra, à qual ele deu o nome “Absolut ZAN”, que esteve patente no Instituto Camões, constituída por 25 obras em acrílico sobre tela, foi o adeus de Zé Andrade à cidade que o viu nascer, que ele amava como a uma mulher e onde gozou plenamente a vida do modo que o caracterizou como artista e homem.
Após esta exposição do adeus, alguns críticos afirmaram que com ela surgira um artista mais maduro, que trocara os acordes da guitarra pelas tintas e o pianos pelo pincéis, mas mantendo a paixão que sempre pôs em tudo o que fazia.  “Há um novo ZAN a trocar tintas? É um ZAN de cores, texturas e formas. Escuto, olho e acho que este ZAN é o mesmo Zé, Jazzé Andrade. É um pintor que pinta de ouvido”, escreveu alguém na altura.
“Absolut ZAN é arte. O artista criou a sua obra no primeiro dia do Mundo e trouxe-a até hoje, a Luanda, cidade que tem um relógio parado à espera do próximo comboio para as profundezas da Baía, onde Calypso repousa até ao dia em que reabrir o salão do Marítimo.
As cores, formas, geometria dos sentimentos, o amor sem garantias financeiras. É absolutamente ZAN e um poema tchokwé”, escreveu na altura no Jornal de Angola Artur Queiroz. A exposição era baseada numa selecção de obras do trabalho do artista nos últimos dez anos.
José Andrade nasceu em Luanda em 1946, onde concluiu o ensino secundário. Além de artista plástico foi guitarrista, autor de programas musicais de rádio, sobretudo de jazz, e colaborador literário de vários jornais, até se dedicar exclusivamente à pintura.
Em 1986 fez a primeira exposição individual em Luanda, na União Nacional dos Artistas Plásticos. Em 1992 foi para Portugal, onde vivia desde então.
O seu percurso artístico é constituído por 21 exposições individuais e 13 colectivas em Portugal, Angola, Brasil e Gabão.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA